quinta-feira, 10 de julho de 2008

A MORTE DO SENADOR

Um senador está andando tranqüilamente quando é atropelado e morre.
A alma dele chega ao Paraíso e dá de cara com São Pedro na entrada.

- Bem-vindo ao paraíso! Diz São Pedro.
- Antes que você entre, há um probleminha. Raramente vemos parlamentares por aqui, sabe, então não sabemos bem o que fazer com você.
- Não vejo problema, é só me deixar entrar, diz o antigo senador.
- Eu bem que gostaria, mas tenho ordens superiores. Vamos fazer o seguinte: você passa um dia no Inferno e um dia no Paraíso. Aí, pode escolher onde quer passar a eternidade.
- Não precisa, já resolvi. Quero ficar no Paraíso diz o senador.
- Desculpe, mas temos as nossas regras.

Assim, São Pedro o acompanha até o elevador e ele desce, desce, desce até o Inferno. A porta se abre e ele se vê no meio de um lindo campo de golfe. Ao fundo o clube onde estão todos os seus amigos e outros políticos com os quais havia trabalhado. Todos muito felizes em traje social. Ele é cumprimentado, abraçado e eles começam a falar sobre os bons tempos em que ficaram ricos à custa do povo. Jogam uma partida descontraída e depois comem lagosta e caviar. Quem também está presente é o diabo, um cara muito amigável que passa o tempo todo dançando e contando piadas. Eles se divertem tanto que, antes que ele perceba, já é hora de ir embora. Todos se despedem dele com abraços e acenam enquanto o elevador sobe.

Ele sobe, sobe, sobe e porta se abre outra vez. São Pedro está esperam do por ele. Agora é a vez de visitar o Paraíso. Ele passa 24 horas junto a um grupo de almas contentes que andam de nuvem em nuvem, tocando harpas e cantando. Tudo vai muito bem e, antes que ele perceba, o dia se acaba e São Pedro retorna.

- E aí? Você passou um dia no Inferno e um dia no Paraíso, agora escolha a sua casa eterna. Ele pensa um minuto e responde:
- Olha, eu nunca pensei. O Paraíso é muito bom, mas eu acho que vou ficar melhor no Inferno.
Então São Pedro o leva de volta ao elevador e ele desce, desce, desce até o Inferno. A porta abre e ele se vê no meio de um enorme terreno baldio cheio de lixo. Ele vê todos os amigos com as roupas rasgadas e sujas catando o entulho e colocando em sacos pretos. O diabo vai ao seu encontro e passa o braço pelo ombro do senador.

- Não estou entendendo, gagueja o senador, Ontem mesmo eu estive aqui e havia um campo de golfe, um clube, lagosta, caviar, e nós dançamos e nos divertimos o tempo todo. Agora só vejo esse fim de mundo cheio de lixo e meus amigos arrasados!

Diabo olha pra ele, sorri ironicamente e diz:
- Ontem estávamos em campanha, agora, já conseguimos o seu voto.


NOTA DA LUA NUA: Piadinha boa pra gente ir pensando na vida, sem esquecermos que estamos em ano eleitoreiro (acho que seria eleitoral, mas por aqui o buraco é mais embaixo e a política sempre alvo de ridicularização, então fica eleitoreiro mesmo).

4 comentários, falta o seu:

Wladimir disse...

Perfeita história para esses tempos funestos, sem falar no tal voto obrigatório... aliás, acho que esse é um dos males da nossa "democracia": se sou obrigado, voto no primeiro que me oferecer qualquer coisa e depois, pra que reclamar, né?

Lua Nua disse...

Eu tb já foi contra o voto obrigatório, mas depois entendi que se não fosse assim seria muito pior pq as classes média e alta não votariam. Aí sim meu amigo, o povão otário vota por uma dentadura (só uma e não o par) e por 1 pé de sapato.

Bjs

Pobre Pampa disse...

Não sou contra o voto obrigatório, mas sou contra o voto do analfabeto. Afinal, quem não tem condições de ler um jornal, entender uma notícia, não deveria - pelo menos - ser obrigado a votar. E seria uma espécie de incentivo político, que as pessoas fossem alfabetizadas para poderem votar, não achas?

Lua Nua disse...

Concordo PoPa.

Sabemos que é mais fácil botar um analfabeto no cabresto, do que alfabetizar um povo. Política e cultura nunca andaram de braços dados.

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