terça-feira, 26 de agosto de 2003

UFES - 25 anos

Blumenau, 26 de agosto de 2003.
Viajo amanhã de madrugada. Devo voltar na terça feira que é feriado por ser aniversário da cidade aqui onde moro.
Queria escrever algo que fizesse companhia a vocês, leitores do meu blog, enquanto viajo, mas pouca coisa me passa agora pela cabeça, apenas o motivo da viagem.
A história dessa viagem se resume em um homem que apesar de ter vindo de uma família muito pobre, de dez irmãos vivos porque dois faleceram pequenos, conseguiram crescer de forma decente graças à mãe. Uma das mulheres mais guerreiras que já conheci nessa vida. Uma mulher que criou sozinha 8 homens e 2 mulheres, que ensinou a eles conquistarem coisas através do trabalho, que cavava escola para "os seus meninos" poderem estudar e que foi alfabetizada no Mobral Movimento Brasileiro de Alfabetização , aos 60 anos "para poder ler a Bíblia" como ela mesma diz.
Para falar desse homem, achei que deveria falar antes dessa raiz forte que ele tem e soube traduzir e honrar na sua grande luta contra essa vida pobre e conseguir ser médico - seu sonho e sua doutrina de vida.
Talvez e por causa disso tornou-se um médico humano, humilde, que não coloca o dinheiro em primeiro lugar e sim sua luta pelo bem estar físico das pessoas.
Vi esse homem ficar sem almoçar, entrar em uma cirurgia às 10h da manhã e sair às 6h da tarde para salvar o braço, de um menino de 10 anos, que poderia vir a ser amputado. Menino esse, filho de um carroceiro sem posses. Vi esse homem responder à secretária do hospital que não cobraria a parte dele na cirurgia, pois o pai não tinha condição de pagar.
Vi esse homem ensinar técnica cirúrgica, pelo telefone aos colegas, que saíam do centro cirúrgico e ligavam para ele quando achavam que tinham chegado ao seu limite técnico e sabiam que ele sabia mais.
Vi esse homem responder a uma menina de 19 anos quando lhe pediu o endereço de um médico que fizesse abortos, que o endereço ele não sabia, mas faria o pré-natal e o parto dela de graça se ela decidisse não abortar. E fez.
Vi esse homem abrir mão do convívio da família para salvar vidas.
Esse homem vai encontrar sua turma da faculdade e vão comemorar 25 anos de formatura.
Esse homem pediu para que eu o acompanhasse ao Espírito Santo para essa festa, e mesmo eu não podendo ir, pois estou cursando uma faculdade e com mil trabalhos por fazer, eu vou.
E eu tinha como dizer não?
Um beijo, meu marido, pela sua garra, pela sua vida, pelo que você é...

1 comentários, falta o seu:

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

que bacana esse texto. uma homenagem, pois seu marido foi um daqueles médicos que, muitas vezes, são heróis.

passam por cima da falta de dinheiro, recursos, tudo...pra poder curar, devolver a saúde para alguém. isso é a maior bondade q um ser humano pode fazer.

adorei conhecer essa história!

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