terça-feira, 20 de dezembro de 2005

O PERU PREGADOR



Por Francisco Cândido Xavier & Neio Lúcio; Alvorada Cristã.


Um belo peru, após conviver largo tempo na intimidade duma família que dispunha de vastos conhecimentos evangélicos, aprendeu a transmitir os ensinamentos de Jesus, esperando-lhe também as divinas promessas. Tão versado ficou nas letras sagradas que passou a propagá-las entre as outras aves.

De quando em quando, era visto a falar em sua estranha linguagem "glá-glé-gli-gló-glú". Não era, naturalmente, compreendido pelos homens. Mas os outros perus, as galinhas, os gansos e os marrecos, bem como os patos, entendiam-no perfeitamente.

Começava o comentário das lições do Evangelho e o terreiro enchia-se logo. Até os pintinhos se aquietavam sob as asas maternas, a fim de ouvi-lo. O peru, muito confiante, assegurava que Jesus-Cristo era o Salvador do Mundo, que viera alumiar o caminho de todos e que, por base de sua doutrina, colocara o amor das criaturas umas para com as outras, garantindo a fórmula de verdadeira felicidade na terra. Dizia que todos os seres, para viverem tranqüilos e contentes, deveriam perdoar aos inimigos, desculpar os transviados e socorrê-los.

As aves passaram a venerar o Evangelho; todavia, chegado o Natal do Mestre Divino, eis que alguns homens vieram aos lagos, galinheiros, currais e, depois de se referirem excessivamente ao amor que dedicavam a Jesus, lançaram frangos, patinhos e perus, matando-os, ali mesmo, ante o assombro geral.

Houve muitos gritos e lamentações, mas os perseguidores, alegando a festa do Cristo, distribuíram pancadas e golpes à vontade.

Até mesmo a esposa do peru pregador foi também morta.

Quando o silêncio se fez no terreiro, ao cair da noite, havia em toda parte enorme tristeza e irremediável angústia de coração.

As aves aflitas rodearam o doutrinador e crivaram-no de perguntas dolorosas.

Como louvar um Senhor que aceitava tantas manifestações de sangue na festa de seu natalício? Como explicar tantas maldades por parte dos homens que se declaravam cristãos e operavam tanta matança? Não cantavam eles hinos de homenagem ao Cristo? Não se afirmavam discípulos dEle? Precisavam, então, de tanta morte e tanta lágrima para reverenciarem o Senhor?

O pastor alado, muito contrafeito, prometeu responder no dia seguinte. Achava-se igualmente cansado e oprimido. Na manhã imediata, ante o sol rutilante do Natal, esclareceu aos companheiros que a ordem de matar não vinha de Jesus, que preferira a morte no madeiro a ter de justiçar; que deviam todos eles continuar, por isso mesmo, amando o Senhor e servindo-o, acrescentando que lhes cabia perdoar setenta vezes sete. Explicou, por fim, que os homens degoladores estavam anunciados no versículo quinze do capítulo sete, do Apóstolo Mateus, que esclarece: "Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores". Em seguida, o peru recitou o capítulo cinco do mesmo evangelista, comentando as bem-aventuranças prometidas pelo Divino Amigo aos que choram e padecem no mundo.

Verificou-se, então, imenso reconforto na comunidade atormentada e aflita, porque as aves se recordaram de que o próprio Senhor, para alcançar a Ressurreição Gloriosa, aceitara a morte de sacrifício igual à delas.

OBS: Texto achado no site saindo da matrix e trazido para cá apenas para uma boa reflexão tão propícia para a época.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2005

NATALÍCIA


Foi um ano difícil este que estava acabando.

Nata ficou desempregada em abril e agora que dezembro já passava do meio e suas economias no fim; ela não sabia mais aonde ir e nem o que fazer para sobreviver.

Tomou banho, pegou sua melhor roupa e decidiu dar uma volta pelo shopping. Quem sabe desta vez tivesse mais sorte. Foi passeando, pois era perto e afinal a intenção era de ao menos se distrair com a profusão de vermelho nas vitrines.

Sentou num banco e um menino moreno se aproximou entregando um papel, ela riu, achou na bolsa uma bala e deu a ele. O menino riu e respondeu:
- Espero que você tenha um Feliz Natal, o meu não deve ser dos melhores, estou trabalhando porque minha mãe está de cama. Nata deu um beijo no menino e respondeu:
- Teremos sim um Natal bem feliz, pois traremos sorte um ao outro.

E o menino saiu rindo, um pouco mais feliz e foi continuar seu trabalho entregando papéis.

Nata viu que era um anúncio de emprego temporário e a inscrição era em uma loja ali mesmo no shopping. Levantou mais animada e foi até a loja. Sua animação não durou muito, era um sexy shop e este não era muito seu perfil, mas decidiu saber o que se tratava. Tomou coragem e entrou na loja. Foi atendida por uma jovem senhora muito educada que a convidou a entrar numa salinha reservada para que conversassem sem interrupções. E ela explicou:
- Vai acontecer uma grande festa, mas como é na noite do dia 24 eu não consigo uma moça para fazer o serviço.
- Algo relacionado à prostituição? Nata perguntou.
- Não, a não ser que você queira. O serviço consiste em estar vestida de mamãe Noel, roupas mínimas e um pouco transparente, o corpo salpicado de gliter. Exatamente a meia noite entra na sala uma imensa caixa de presentes com a moça e os presentes que serão entregues por ela. O grupo da festa consiste em investidores da bolsa de valores e alguns grandes empresários. Todos sem família, por isso resolveram fazer esta festa em grupo. Lógico que estou agendando algumas meninas de programa também, mas eles pediram que a moça da caixa não fosse prostituta. Foram as ordens que recebi quando me contrataram para organizar esta festa e é lógico que preciso de uma moça educada, de classe, pois são todos homens importantes e de muitas posses. Depois da entrega dos presentes, se você quiser, pode continuar na festa e curtir até o final.

Nata achou que o serviço não seria tão ruim assim, afinal de contas não ia ter como, ou com quem passar o Natal e a parte boa é que poderia curtir a festa depois da meia noite, mas a parte melhor era o que iria receber em pagamento pelo serviço, era o que recebia por um mês de trabalho no seu último emprego. Saiu feliz da loja e lembrou do menino, mas não o achou pelo shopping. Num impulso voltou à loja e perguntou para a senhora que a tinha atendido se tinha o endereço, ou telefone do menino que estava entregando o folder para ela.
- Que menino? Que folder? Não pedi para entregar nenhum folder, tenho apenas este cartaz na loja, não foi por ele que você chegou aqui?

Nata procurou na sua bolsa, mas não achou mais o papel que o menino tinha lhe dado. Pediu desculpas e saiu da loja, confirmando sua ida à festa no dia 24.

Chega o dia e Nata está bem nervosa. Foi treinada para o serviço, experimentou a roupa, que nem era tão mínima assim, marcaram cabeleireiro, manicure e maquiagem, num salão vip e isto consumiu sua tarde toda. Agora se olhava no espelho com o vestido longo vermelho, sapatos e meias que foram enviados e se achava bem diferente do seu dia a dia. Não era feia, mas seus cabelos longos, louros naturais e ligeiramente encaracolados nunca tinham sido tão bem tratados. Brilhavam, assim como seus olhos. Estava impressionada com a organização de tudo. Salão, roupas e um táxi na sua porta a esperando, até a cor do esmalte foi escolhida por eles.

Quando chega ao local, uma mansão amarela clara em cima de uma colina e toda iluminada, repara que no estacionamento existe uma profusão de BMW, Ferrari e outros carros que ela nem conhecia, mas todos muito bonitos. Quando entra na sala que reservaram para ela e mais parecendo um camarim, vê no canto uma mesa com uma toalha branca, um vaso com belíssimas rosas vermelhas, uma cesta de frutas e dentro de um balde com gelo uma champanhe. Antes que faça algo, entra um garçom, lhe dá boa noite e abre a champanha, servindo um pouco numa taça e entregando a ela.
- Com os cumprimentos de todos, senhora. Precisando de qualquer coisa pode me chamar estarei aqui fora no corredor. Boa festa.

Nas rosas tinha um cartão escrito: "Feliz aniversário, beijos", mas sem assinatura. Nata sabia que não tinha falado com ninguém que no dia seguinte seria seu aniversário. Aliás, detestava ter nascido no dia 25 de dezembro, foi por isso que inventaram aquele nome bobo para ela.

Músicas deliciosamente relaxantes começaram a tocar, entremeadas com algumas antigas de Natal. Nata começou a se trocar com calma, tinha tempo de sobra.

Faltando cinco minutos para meia noite o mesmo garçom bate à porta e pergunta:
- A senhora está pronta? Chegou sua hora e a acompanha até onde estava a caixa, mas quando Nata entra na caixa apenas uma caixa de presentes lhe é entregue. Ela pergunta onde estão os outros presentes que deveria entregar, mas o garçom fala que só recebeu ordens para entregar-lhe aquela pequena caixa. E a caixa dourada com Nata dentro segue para a sala.

Quando a caixa se abre e Nata se levanta com o pequeno embrulho nas mãos vê um salão imenso, todo iluminado à luz de velas e decorado com rosas vermelhas. Uns vinte ou trinta casais, os homens de preto e as mulheres vestidas em tons de vermelho, e na sua frente um rapaz uns cinco anos mais velho que ela que lhe estende a mão ajudando-a a sair da caixa. Nessa hora a música pára e todos cantam "parabéns pra você" e ela entrega a caixa para o rapaz que a abre e tira um anel com um solitário de brilhante. Ele pega sua mão e coloca o anel e antes que Nata consiga falar algo ele a puxa para dançarem Danúbio Azul que começa.

O rapaz dança em silêncio e só na segunda música que começa a contar para ela o motivo da festa.
- Os casais são todos meus amigos, e resolveram me fazer uma surpresa pelo meu aniversário. Eles não se conformam que sempre saímos, eles sempre em casal e eu sozinho. Trabalho muito e não tenho tempo para paqueras, então resolveram me presentear com você, mas isso não quer dizer que você seja obrigada a nada que não queira comigo. Seu trabalho terminou quando você saiu da caixa, agora é apenas curtir a noite.

Nata fala que não está se sentindo bem com aquela roupa para continuar no salão, se ele faz alguma objeção que ela se troque.
- Lógico que não! Quer que te acompanhe até sua sala?
- Sim. Mesmo porque nem sei onde fica afinal me trouxeram até aqui dentro de uma caixa.

Ele a leva até o camarim e quando entram o garçom está servindo champanhe em duas taças. Entrega a eles e se retira.

Brindam e o rapaz faz menção de sair para que ela se troque, mas Nata olha para o biombo e pede que ele a espere na poltrona enquanto se troca atrás do biombo. Quando sai de trás deste ele está em pé com uma das rosas do buquê nas mãos e fala:
- Sei que parece loucura, nem nos conhecemos, mas espero que nós dois tenhamos uma noite especial.

Nata pega a flor e agindo instintivamente chega seu lábio perto do dele.

Carlos prende a rosa nos cabelos de Nata e saem para dançar.

A noite é realmente especial e se sentindo cansada de tanto dançarem pede para dar uma volta pelo jardim. Sentam-se num banco e Carlos fala de sua vida. Ficou órfão muito jovem, mas o curador dos muitos bens que seu pai deixou foi também seu tutor. Um homem correto e rígido na sua forma de educar os filhos e ele foi educado pelo tutor. Começou a trabalhar em uma das empresas do seu pai com 16 anos, como boy. Seu tutor falava que se ele não conhecesse toda a empresa, jamais conseguiria administrar esta e as outras que seu pai tanto trabalhou para deixar para ele. Hoje ele agradece a educação rígida que teve, mas sabe que isso o deixou com poucas possibilidades de ter uma mulher como ele sonhava. Que não fosse do meio dele, pois achava as meninas muito vazias, querendo saber apenas de festas e pediu para que Nata contasse sua vida.

- Nasci no interior e vim para a capital estudar. Sempre quis cursar música e trabalhei sempre para conseguir pagar meus estudos. Quando passei para a universidade federal comecei a achar que finalmente minha vida iria melhorar, mas trabalhar nessa área é muito difícil. Trabalhei até o começo deste ano, quando o grupo se dissolveu e sobrevivi com o que conseguia guardar do meu salário.

Nata tira o anel do dedo e fala a Carlos que não pode aceitar um presente tão caro já que mal se conhecem. Ele pega o anel e recoloca no dedo dela.

- Aceite, por favor. Apesar de ser precipitado, quero conhecer você melhor e espero que você também queira me conhecer. Sei onde te encontrar.

A festa está no final e Nata pega o táxi de volta para casa, mas o motorista toma outro caminho. Nata pergunta o porquê disso e o rapaz entrega um grande embrulho e responde que eles têm ainda algo a fazer, têm mais um presente a entregar naquela noite.

Já está amanhecendo quando Nata chega a uma casa simples. Sentado na porta um menino moreno que quando a vê abre um sorriso.

- Oi moça! Como me achou?
- Não sei, e como você me achou?
- Um moço pediu para eu entregar à senhora aquele papel e que jogasse os outros no lixo, que se eu fizesse isso hoje cedinho eu iria receber um presentão.

Nisso Nata lembra do embrulho, volta ao carro e entrega ao menino o pacote contendo um ferrorama, um cheque e um cartão onde estava escrito:
"Antonio use o cheque da melhor forma, para você e para cuidar de sua mãe, um grande beijo do seu amigo Carlos".

A partir desse Natal mágico os três nunca mais se separaram.

Melanie
18/12/2005

domingo, 11 de dezembro de 2005

THE MOUNTAINS O'MOURNE


Don Mclean

Oh, mary, this london's a wonderful sight with people here
Working by day and by night.
They don't sow potatoes nor barley nor wheat but there's gangs
Of them diggin' for gold in the street.
At least when i asked them that's what i was told so i just took
A hand at this diggin' for gold,
But for all that i found there i might as well be where the
Mountains o'mourne sweep down to the sea.

I believe that when writing a wish you expressed as to how the
Fine ladies in london were dressed,
Well, if you'll believe me when asked to a ball, they don't wear
No top to their dresses at all.
Oh, i've seen them meself and you could not in truth say that if
They were bound for a ball or a bath,
Don't be startin' them fashions, now, mary mccree, where the
Mountains o'mourne sweep down to the sea.

There's beautiful girls here, oh, never you mind, with beautiful
Shapes nature never designed,
And lovely complexions, all roses and cream but let me remark
With regard to the same
That if at those roses you venture to sip, the colors might all
Come away on your lip,
So, i'll wait for the wild rose that's waitin' for me in the
Place where the dark mourne sweeps down to the sea

(alguém me deve essa tradução...)

terça-feira, 10 de maio de 2005

FIM DE UM BLOG

acabou o tempo
acabou o saco
acabou...

quarta-feira, 4 de maio de 2005

PERGUNTAS A LAURA SCHLESSINGER

Foto de Levítico achada aqui

Laura Schlessinger é uma conhecida locutora de rádio nos Estados Unidos. Ela tem um desses programas interativos que dá respostas e conselhos aos ouvintes que a chamam ao telefone.

Recentemente, perguntada sobre a homossexualidade, a locutora disse que se trata de uma abominação, pois assim a Bíblia o afirma no livro de Levítico 18:22.

Um ouvinte escreveu-lhe, então, uma carta que vou transcrever:



Querida Dra. Laura:

Muito obrigado por se esforçar tanto para educar as pessoas segundo a Lei de Deus. Eu mesmo tenho aprendido muito no seu programa de rádio e desejo compartilhar meus conhecimentos com o maior número de pessoas possível. Por exemplo, quando alguém se põe a defender o estilo homossexual de vida eu me limito a lembrar-lhe que o livro de Levítico, no capítulo 18, verso 22, estabelece claramente que a homossexualidade é uma abominação. E ponto final. Mas, de qualquer forma, necessito de alguns conselhos adicionais de sua parte a respeito de outras leis bíblicas concretamente e sobre a forma de cumpri-las:

1) Gostaria de vender minha filha como serva, tal como o indica o livro de Êxodo, 21:7. Nos tempos em que vivemos, na sua opinião, qual seria o preço adequado?

2) O livro de Levítico 25:44 estabelece que posso possuir escravos, tanto homens quanto mulheres, desde que sejam adquiridos de países vizinhos. Um amigo meu afirma que isso só se aplica aos mexicanos, mas não aos canadenses. Será que a senhora poderia esclarecer esse ponto? Por que não posso possuir escravos canadenses?

3) Sei que não estou autorizado a ter qualquer contato com mulher alguma no seu período de impureza menstrual (Lev. 18:19, 20:18 etc.). O problema que se coloca é o seguinte: como posso saber se as mulheres estão menstruadas ou não? Tenho tentado perguntar-lhes, mas muitas mulheres são tímidas e outras se sentem ofendidas.

4) Tenho um vizinho que insiste em trabalhar no sábado. O livro de Êxodo 35:2 claramente estabelece que quem trabalha nos sábados deve receber a pena de morte. Isso quer dizer que eu, pessoalmente, sou obrigado a matá-lo? Será que a senhora poderia, de alguma maneira, aliviar-me dessa obrigação aborrecida?

5) No livro de Levítico 21:18-21 está estabelecido que uma pessoa não pode se aproximar do altar de Deus se tiver algum defeito na vista. Preciso confessar que eu preciso de óculos para ver. Minha acuidade visual tem de ser 100% para que eu me aproxime do altar de Deus? Será que se pode abrandar um pouco essa exigência?

6) A maioria dos meus amigos homens tem o cabelo bem cortado, muito embora isto esteja claramente proibido em Levítico 19:27. Como é que eles devem morrer?

7) Eu sei, graças a Levítico 11:6-8, que quem tocar a pele de um porco morto fica impuro. Acontece que eu jogo futebol americano, cujas bolas são feitas com pele de porco. Será que me será permitido continuar a jogar futebol americano se eu usar luvas?

8) Meu tio tem uma granja. Ele deixa de cumprir o que diz Levítico 19:19, pois planta dois tipos diferentes de sementes no mesmo campo, e também deixa de cumprir a sua mulher, que usa roupas de dois tecidos diferentes, a saber, algodão e poliéster. Além disso, ele passa o dia proferindo blasfêmias e se maldizendo. Será que é necessário levar a cabo o complicado procedimento de reunir todas as pessoas da vila para apedrejá-lo? Não poderíamos adotar um procedimento mais simples, qual seja o de queimá-lo numa reunião privada, como se faz com um homem que dorme com a sua sogra, ou uma mulher que dorme com o seu sogro (Levítico 20:14)?

Sei que a senhora estudou estes assuntos com grande profundidade de forma que confio plenamente na sua ajuda. Obrigado novamente por recordar-nos que a Palavra de Deus é eterna e imutável.

Recebi por e-mail do Ivo... Boazinha :=)

APAE



Minha amiga Bugra - ou Laura Helena - é uma das pessoas mais corretas que eu conheço. Ela é presidente da APAE de Lagoa Vermelha/RS.

Hoje nem pudemos conversar porque ela estava em reunião. Quando li o blog da APAE de Lagoa Vermelha/RS eu não acreditei - http://www.aaldeiadosanjos.blogger.com.br/ - mas é verdade.

Na política brasileira nada mais me choca, sei que é nojenta, mas a APAE me toca.

Para quem não sabe (por um ano) fui presidente da APAE de Rio Verde de Mato Grosso no Mato Grosso do Sul e só saí porque tive que cuidar da minha mãe que estava com câncer, mas foi uma das melhores experiências da minha vida.

Você que está me lendo pode achar que 10 reais não faz diferença, mas faz sim, pode doar porque eles ainda estão trabalhando em regime de emergência. OBRIGADA a você que se dispôs a doar, mesmo que tenha sido R$ 1,00.


COMO AJUDAR:

APAE Lagoa Vermelha

Banco do Brasil
Agência 0363-8
Conta 8.000-4

Para DOC's o CNPJ: 90.837.717/OOO1-85



Como falaria minha "irmã" Bugra se estivesse escrevendo este texto agora: "Um beijo na palma das suas mãos".

sábado, 30 de abril de 2005

MAIS FELIZ DO QUE PINTO NO LIXO

Hoje eu tô mais feliz do que pinto no lixo...

E tudo começou assim de brincadeira

Fiz um desenho de uma caneca para mim...


E ele falou que queria uma também, e eu fiz...


Aí fomos ficando amigos.
Comecei a escrever um livro e "roubei" textos dele.
Conversamos pelo MSN, com e sem cam.

Ano passado as famílias se conheceram e vimos que era amor pra mais de metro.


Hoje sei que éramos família mesmo, apenas demoramos a nos reencontrar.

Hoje François Porpetta está vivo novamente, tem um micro funcionando novamente e isso vale a vida.

Beijos grandes Schico, Line Mel e Edu

terça-feira, 26 de abril de 2005

ORAÇÃO AO ENVELHECER


Foto achada num fórum de conversa aqui

Senhor, dê-me sabedoria
De envelhecer com dignidade
E juízo,
Pois avoada como sou,
Nem sei mesmo ao que eu vou.
Como posso,
se nem sei de onde vim?/*

Prometo responder ao "como vai"
Apenas com "tudo bem",
Sem desfiar um rosário de achaques,
Que fazem dos idosos muito francos
E sempre pensam que esse "como vai"
É realmente "como vai"... /*

Declaro aqui também nesta prece,
Que mais com uma conversa se parece,
Que ando treinando muito
Minha memória,
Fazendo infindas palavras cruzadas
Para que de repente, não me veja só, em qualquer estrada,
Sem saber por onde andava.

Leio a não mais poder,
Para exercitar meus neurônios...

Imagine só, se como dizem temos só o Tico e o Teco,
Ao envelhecer
Nem estes hão de permanecer.

É preciso ajudar a natureza a
Se manter informada, antenada,
e quem sabe até nas baladas...
Juro que sei que permanecerei alegre e jovial,
Porque minha alma não é mortal
E só envelhece o corpo material.

Hei de gostar de esmalte e batom até o fim
E nem quero saber o que irão pensar de mim.

Cuidar de netos, não posso...
Serei extremamente ocupada .

E o cinema de madrugada?
E as conversas com o povo da Net ?

Quem teve filho
Que seja responsável,
Mas coruja como sou,
Vez ou outra me entrego
E me dou aos netos.

Minha maquiagem definitiva
Me acompanhará toda vida.

Tô malhando
Agora pra ficar mais enxuta.
Depois, tempos mais adiante,
Pra conseguir andar sozinha
Sem ninguém querendo segurar mão minha.

Nado, Ando, Danço
Só dardo não arremesso,
Também pra que diabo?

Não quero acertar ninguém
Só quero todos no lugar em que meu coração
guarda quem quero bem...

Ah... faça de mim, Senhor
Uma velhinha porreta
Que canta, dança
E não cansa.

E quando me chamares prá ti,
Te prepara, Senhor
Não sou nada disciplinada .

Vou botar fogo, aí na meninada
Já em idade adiantada...

Arranja muitos anjos
Pra ficarem de olho em mim,
Depois não me diga que não avisei.

Vou levar para o céu
A alegria da vida que sonhei!!

(desconheço o autor do texto, pois recebi por e-mail do Ivo Anjo)

ESSAS OUTRAS CRIANÇAS


Foto achada aqui

Quando abraças teu filho, no conforto doméstico, fita essas outras crianças que jornadeiam sem lar.

Dispões de alimento abundante para que teu filho se mantenha em linha de robustez.

Essas outras crianças, porém, caminham desnorteadas, aguardando os restos da mesa que lhes atira, com displicência, findo o repasto.

Escolhes a roupa nobre e limpa de que teu filho se vestirá, conforme a estação.

Todavia, essas outras crianças tremem de frio, recobertas de andrajos.

Defendes teu filho contra a intempérie, sob o teto acolhedor, sustentando-o à feição de jóia no escrínio.

Contudo, essas outras crianças cochilam estremunhadas na via pública quando não se distendem no espaço asfixiante do esgoto.

Abres ao olhar deslumbrado de teu filho, os tesouros da escola.

E essas outras crianças suspiram debalde pela luz do alfabeto, acabando, muitas vezes, encerradas no cubículo das prisões, à face da ignorância que lhes cega a existência.

Conduzes teu filho a exame de pediatras distintos sempre que entremostre leve dor de cabeça.

Entretanto, essas outras crianças minadas por moléstias atrozes, agonizam em leitos de pedra, sem que mão amiga as socorra.

Ofereces aos sentidos de teu filho, a festa permanente das sugestões felizes, através da educação incessante.

No entanto, essas outras crianças guardam olhos e ouvidos quase sintonizados no lodo abismal das trevas.

Afaga, assim, teu filho no trono familiar, mas desce ao pátio da provação, onde essas outras crianças se agitam em sombra ou desespero e ajuda-as quanto possa!

Quem serve no amor de Cristo, sabe que a boa palavra e o gesto de carinho, o pedaço de pão e a peça de vestuário, o frasco de remédio e a xícara de leite operam maravilhas.

Proclamas a cada passo que esperas confiante o esplendor do futuro mas, enquanto essas outras crianças chorarem desamparadas clamaremos em vão pelo mundo melhor.


EMMANUEL, pelo médium Francisco Cândido Xavier

quinta-feira, 21 de abril de 2005

TIRADENTES - ÚLTIMAS HORAS


Foto achada aqui

Em bazófias próprias de mentes perversas, diziam os soldados na rua que o Tiradentes deveria ser morto de forma mais meritória, atado a um cavalo e marretassem-lhe peito, pernas e pés, para que tivesse uma agonia lenta e dolorosa. Se algum passante se atrevia a repostar1, ia logo curtir a cadeia. Os lusos atrevidos tinham ainda medo daquele homem acabado fisicamente, o alferes Xavier!

No oratório da cadeia, panos pretos e cruz pendente do altar, só estavam naquele dia 20 de abril de 1792 o Tiradentes, uns guardas, e dois frades, que o tentavam consolar. A um dado momento, pensando na sua vida de sacrifício e luta, embora contente por só ele ser o condenado à pena máxima, ainda repostou ao padre, com mágoa e ironia simples:

- A corda sempre rebenta pelo lado mais fraco!

Como se enganava o alferes. Nenhum de nós poderia ser mais forte do que ele naquele instante!

De madrugada, às quatro horas, após uma noite sem dormir, em pensamentos cheios de oração e dor, chegou-se ao alferes o barbeiro. Vinha cumprir o de praxe: raspou-lhe os cabelos e a barba. Em seguida, um meirinho tirou-lhe as roupas e fê-lo vestir a serapilheira2 branca, a alva dos condenados, cujas mangas eram cosidas nas extremidades, com cordas que se amarravam em nó. Foi ouvido, então, em confissão, por Frei Raimundo Penaforte, que lhe fez uma missa e ministrou-lhe a extrema-unção.

A Tiradentes nada daquilo parecia real. Talvez que Deus o condenasse, porque os homens haviam atingido tal fim, porque ele se houvera como voluntário para cortar a cabeça ao governador! - pensava cansado. No entanto, sabia que a morte não era o fim de tudo! Lembrava-se da lenda maçônica segundo a qual o herói vira estrela no céu! Sorria tristemente. Repostava ao frade por monossílabos!

Já raiava o dia 21 de abril de 1792, um sábado de sol esplêndido, sendo Portugal regido por D. Maria I, o vice-rei Dom Luís de Castro, conde de Resende. Logo mais seria executada a sentença. Assistiriam a execução os mesmos ?marotos?, palavra ofensiva que os lusos detestavam, e que havia custado ao Victoriano Veloso os açoites ao redor da forca e a caminho da cadeia, o Silvério, o Parada e Souza, o Manitti, o Basílio Brito Malheiros. Dos traidores só o Pamplona não foi contemplado pelos ?serviços? prestados à sua Real Soberana!

Vários corpos de Infantaria, um de Artilharia e um Esquadrão de Cavalaria da Guarda dos vice-reis, com duas companhias, se apressavam para guarnecer as ruas e a execução. A serviço da segurança do vice-rei e sua magistratura três batalhões de granadeiros...

Pela manhã, logo cedo estavam todos com seus fardamentos de gala, os cavalos com fitas cor-de-rosa nas crinas e mais nas espingardas e baionetas dos soldados. Os arreios de prata dos maiorais haviam sido polidos e brilhavam ao sol. As ruas do Piolho, da Cadeia, da Barreira de Santo Antônio e do largo de Lampadosa, onde fora erguida a forca descomunal, cujas traves se encontram no Museu da Inconfidência, foram visitadas por soldados. Deveriam guarnecer as janelas de colchas adamascadas, festões, rendas, para enfeitar aquela demonstração de força. Para espanto dos promotores da execução o povo acorreu às ruas. Ia a dar espórtulas aos padres que a pediam, segundo o costume, para as missas ao condenado. Era uma última homenagem, covarde embora, daqueles por quem o Tiradentes se propusera a lutar! O coronel José da Silva Santos, comandante do Regimento da Artilharia do Rio de janeiro, teria que guarnecer a forca, junto com os regimentos de Bragança e Moura, primeiro e segundo batalhão dos granadeiros, sob o comando do coronel José Vitorino Coimbra. Ironia cruel! Estes homens eram companheiros nossos, e inspirados pelo Plano Espiritual, sob o cego olhar das autoridades presentes guarneceram a forca, formando-se num gigantesco e humano triângulo, o mesmo símbolo da bandeira Inconfidente!

Às nove horas da manhã abriu-se o portão da cadeia, e com os padres da Irmandade da Misericórdia, que iam a rezar a prece de S. Atanásio, apareceu diante dos primeiros assistentes Tiradentes, vestindo a alva, com as mãos amarradas por grossas cordas. Dirigiu-se a ele o Galé3 Jerônimo Capitania, escolhido para a execução da sentença! Pediu ao Tiradentes que o perdoasse pelo que ia fazer, que a isto era obrigado.

Era costume fazê-lo, como a se aliviar do que tinha que cumprir.

Tiradentes ajoelhou-se diante do negro e beijou-lhe as mãos, repostando:

- Assim também o Meu Senhor morreu por meus pecados!

Jerônimo jamais esqueceria enquanto vivesse aquele condenado, que o haveria de ajudar, desde então. Curvada a cabeça do alferes, passou-lhe o baraço4 ao pescoço, seguindo à frente a puxá-lo. Nas mãos, os padres lhe puseram um crucifixo de dois palmos, o qual Tiradentes passou a olhar, para não mais pensar em ninguém e pedindo ao Cristo o ajudasse no derradeiro instante.

As cornetas soaram e a Companhia da Cavalaria abriu o séquito fúnebre, seguida de três meirinhos, que iam badalando sinos e repetindo a sentença para ciência dos assistentes. Várias Irmandades seguiam o cortejo: a do Rosário, dos Terceiros de São Francisco, do Santíssimo Sacramento, da Sé dos Beneditinos e Carmelitas, que havia recolhido minha Dalva, das Almas do Purgatório. Atrás Silva Xavier, o Tiradentes, seguido pelos irmãos de Santo Antônio e Santa Casa de Misericórdia. A alçada régia estava representada pelo escrivão, ouvidores, juízes-de-fora.

No prédio que me acolhera, bem como nos demais, ouvimos o toque das cornetas e sabíamos o que representava.

O trajeto era longo para ser feito a pé por um condenado. Tiradentes era provado por última vez. E seguiu, tendo por duas vezes olhado os céus. Alguns curiosos tiveram pena. Mulheres choravam e afastavam-se do lugar.

Assim que foram chegando os padres, os meirinhos e todos perto da Igreja de Lampadosa, ouviram de dentro um coral de vozes. Era o conta do amigo do Tejuco, o Mesquita Lobo, cantado por um coral de mulatos, o Domenica Palmarum. Tiradentes entendeu a mensagem muda. Logo mais viria o seu sacrifício, como o de Jesus, pelos seus irmãos, só que, por diferente havia ele sonhado com um reino neste Brasil, provera Deus lhe reservasse um lugar no outro Reino. Olhou para dentro, parando por uns instantes. No altar viu acesas velas. Formavam um perfeito triângulo. Sinal que, se ele morreria breve, as idéias de liberdade permaneceriam. Atrás de uma coluna julgou ver uma mulher e uma criança. Talvez Eugênia. O sol forte o impedia de ver direito na Igreja escura. Melhor não fosse ela, pobre mulher - pensou.

Seguiu adiante. Ao seu lado, acompanhando-o no derradeiro momento as entidades amigas5 ministravam-lhe conforto. Uma paz estranha o envolvia a poucos metros da forca que avistou adiante. Um entorpecimento, e uma alegria nova no coração. Era nisto a morte? A liberdade?

Diante da escada parou um instante. Frei Penaforte ajudou-o a galgar os vinte e quatro degraus. Diante de si viu a multidão e os guardas em seus uniformes. Não! Não se enganava! Era novamente o triângulo6 que tinha diante de si. Olhou para as autoridades. Seu pensamento se elevou aos céus, enquanto se ouvia um discurso encomendado ao padre, para lição à multidão presente.

- Seja breve, padre - pediu Tiradentes, baixando a voz.

O padre parou um instante. Tiradentes pensou que já não lhe poderiam negar falasse àquele povo porque iria morrer por aquele modo por ele. Com um coragem, abriu a boca para falar-lhes. A um sinal, o carrasco puxou a corda, atando-a à trave. Não lhe permitiriam aquele último recurso!

Frei José Maria do Desterro começou sua fala, condenando aqueles que fugiam à desobediência dos reis e seus ministros! Aproveitou para falar da sentença aos outros condenados, com o que pudesse fazer saber a todos os que ainda não soubessem, devido a amizade que tinha a alguns acusados. Por três vezes Tiradentes lhe pediu que terminasse a prédica. O Sol estava a pino. Pediu água e lhe deram, mas como que se lembrasse de pedido semelhante a um outro condenado à morte, a quem pedia coragem e perdão para os algozes, mal a pôde beber. Frei José começou a orar o Credo dos apóstolos, lentamente. Para que também se pusesse, por fim, pronto para aquele instante Tiradentes repetiu alto, para que as pessoas próximas ouvissem, palavra por palavra. Todos estavam magnetizados por aquele homem magro e abatido, cujo olhar espelhava uma força e resignação divinas. Amparado por forças invisíveis ao populacho e à tropa, seu espírito, meio liberto do corpo, pairava acima do solo, ligado por tênues fios ao corpo maltratado, impulsionando a fala. Tirou-lhe o carrasco o crucifixo das mãos. Quando a oração terminasse, teria que cumprir a sentença. Para que a multidão não visse a fisionomia do réu e este a de todos, amarrou-lhe aos olhos uma tira de bretanha preta.

Tiradentes, com os olhos mortais velado, começou a ver o triângulo da guarda radioso em luz, como se um Sol o centrasse!

- Delírios de condenado? - pensou e clamou em espírito: Jesus! Jesus! Jesus!

Descendo os últimos degraus Pe. José terminava a prece encomendada: ?Na vida eterna!? Como se obedecendo a senha, Jerônimo puxou violentamente a corda, suspendendo o alferes no ar. Estertores convulsos sacudiam o corpo. Eram onze horas e vinte minutos do dia 21 de abril de 1792. Pulando sobre os ombros do condenado, balouçado pelo ar, Jerônimo Capitania apressava a morte do Tiradentes.

Vendo o triângulo de gentes alegres a saudá-lo, sentiu o alferes uma dor funda no pescoço e a sufocação. Seu corpo estava levantado, suspenso, como que desmaiava, e, no entanto, ouvia um coral cantando, cantando o Te Deum. O centro solar do triângulo tomava vida: Era o Cristo a lhe estender os braços. Queria falar, correr ao seu encontro, mas não tinha forças. Amparavam-no de cada lado Felipe7 e o romano Lício. Então a morte era assim? E de onde partiam aqueles longínquos ruídos?

Ouvia o Tiradentes, bem abafado, no outro Plano da Vida, o rufar dos tambores que finalizava sua execução e abafava qualquer voz de horror que o povo pudesse erguer.

Também nós o ouvimos e, sabendo-lhe a causa, choramos amargamente.

(Espírito Tomás Antônio Gonzaga - Médium: Marilusa Moreira Vasconcellos - Obra: Confidências de um Inconfidente). EDITORA RADHU

Notas do compilador:
1 - repostar = retrucar;
2 - serapilheira = pano de estopa grosseira, destinado à embalagem de fardos e à limpeza - tecido grosseiro com que os camponeses fazem seus trajes de serviço;
3 - Galé = pessoa escravizada a trabalho penoso e duro;
4 - baraço = corda fina, cordel - laço de forca - corda com que se enforcavam os condenados;
5 - Entidades amigas = Tomás refere-se aos Espíritos encarregados de acompanhar o desencarne de Tiradentes;
6 - Triângulo = Desenho triangular no qual está inscrita a expressão "Libertas Quae Sera Tamen" (liberdade ainda que tarde, ou tardia), divisa da Inconfidência Mineira, hoje lema do Estado de Minas Gerais. É parte de um verso latino do gênio da literatura latina e ocidental Virgílio (Publius Virgilius Maro, poeta latino (70-19 a.C);
7 - Felipe = Trata-se do Espírito de Felipe dos Santos Freire, que havia sido o chefe da revolta de 1720, em Vila Rica (Ouro Preto) contra a lei que instituiu no Brasil as casas de fundição e lançava novos impostos sobre a mineração de ouro. Foi preso e executado no mesmo ano, na mesma cidade de Vila Rica.

Não sei porque esse livro me emocionou tanto...




Foto achada aqui

O JUSTO

Cecília Meireles


Toda vez que um justo grita,
Um carrasco vem calar.
Quem não presta fica vivo
Quem é bom mandam matar.

Foi trabalhar para todos
E vejam o que lhe acontece:
Daqueles a quem servia,
Já nem um mais o conhece.
Quando a desgraça é profunda,
Que amigo se compadece?

Foi trabalhar para todos,
Mas por ele quem trabalha?
Tombado fica seu corpo
Nesta esquisita batalha.
Suas ações e seu nome,
Por onde a glória os espalha?

Por aqui passava um homem
(e como o povo se ria!)
Que reformava este mundo
De cima da montaria.
Por aqui passava um homem
(e como o povo se ria!)
Ele na frente falava
E atrás a sorte corria.
Por aqui passava um homem
(e como o povo se ria!)
Liberdade, ainda que tarde,
Nos prometia.

Poema que Chico Buarque genialmente trouxe para a MPB

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