domingo, 14 de junho de 2009

DIA DOS NAMORADOS


Botafogo vence Palmeiras e se classifica para próxima fase do Showbol

O Botafogo é a primeira equipe a se classificar para a próxima fase do Campeonato Brasileiro de Showbol ao derrotar o Palmeiras por 11 a 10 na noite desta sexta-feira, dia 12, no ginásio Galegão, em Blumenau. O goleiro Milagres fez o gol que garantiu a vitória do Fogão. A outra vaga será definida na terça-feira, dia 16, em Brusque, quando o Palmeiras encara o lanterna Cruzeiro. Se vencer, o alviverde segue na competição, mas, se tropeçar dá a vaga ao Corinthians.

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Sabe aquela coisa boboca de Dia dos Namorados, tipo: o cara tem que levar a namorada ao shopping, ao cinema ou a um restaurante pra ela ficar com cara de Barbie cor-de-rosa?

Pois é, dessa vez inovei.

Nada de jantarzinho, velinhas, motelzinho e etc, dessa vez foi um jogão!!! Meu presente do dia dos namorados foram 2 ingressos pro showbol que ia ter aqui em Blu entre Botafogo x Palmeiras.

E foi muito legal!!!! Afinal de contas não é todo dia que a gente vê nosso Botafogo ganhar. Voltei pra casa rouca de tanto gritar:

FOOOOOGOOOOOO!!!!

FOOOOOGOOOOOO!!!!

FOOOOOGOOOOOO!!!!



Sábado continuamos namorando e aí rolaram outras coisinhas, como presentinhos, almoço por aí, dormir fora de casa pra variar a cama... etc, etc, etc...

segunda-feira, 8 de junho de 2009

CANNABIS SATIVA – sim ou não?

Fumada em cigarros, conhecidos como "baseados", ou inalada com cachimbos ou narguilés, a maconha é um entorpecente produzido a partir das plantas da espécie Cannabis sativa, cuja substância psicoativa – aquela que, na gíria, "dá barato" – se chama cientificamente tetraidrocanabinol, ou THC.


UM MUNDO LIVRE DE DROGAS É INGENUIDADE OU EQUÍVOCO?
Os danos à saúde são reconhecidos e não quero aqui exaltar as virtudes da erva, a não ser suas propriedades terapêuticas para uso medicinal. Só que pensando de forma lógica os números e o mercado falam que se gastam bilhões de dólares por ano, mata-se, prende-se, mas o tráfico se sofistica, cria poderes paralelos e se infiltra na polícia e na política. O consumo aumenta em todas as classes sociais. Desde 1998, quando a ONU levantou sua bandeira antidrogas, no comércio mais que triplicou o consumo de maconha e cocaína na América Latina.

Segundo a Revista Época, há 200 milhões de usuários regulares de drogas no mundo. Desses, 160 milhões fumam maconha. A erva é antiga – seus registros na China datam de 2723 a.C. –, mas apenas em 1960 a ONU recomendou sua proibição em todo o mundo. O mercado global de drogas ilegais é estimado em US$ 322 bilhões. Está nas mãos de cartéis ou de quadrilhas de bandidos. Outras drogas, como o tabaco e o álcool, matam bem mais que a maconha, mas são lícitas. Seus fabricantes pagam impostos altíssimos. O comércio é regulado e controla-se a qualidade. Crescem entre estudiosos duas convicções. Primeira: fracassou a política de proibição e repressão policial às drogas. Segunda: somente a autorregulação, com base em prevenção e campanhas de saúde pública, pode reduzir o consumo de substâncias que alteram a consciência. Liderada pelos ex-presidentes, a comissão defende a descriminalização do uso pessoal da maconha em todos os países. "Temos de começar por algum lugar", diz FHC. "A maconha, além de ser a droga menos danosa ao organismo, é a mais consumida. Seria leviano incluir drogas mais pesadas, como a cocaína, nessa proposta".


Mesmo com o investimento de US$ 6 bilhões dos Estados Unidos no Plano Colômbia, a área de cultivo de coca na região andina permanece com 200 mil hectares.


QUEM PRODUZ?
A comissão latino-americana acha "imperativo retificar a estratégia de guerra às drogas dos últimos 30 anos". Nosso continente continua sendo o maior exportador mundial de cocaína e maconha, mas produz cada vez mais ópio e heroína e debuta na produção de drogas sintéticas.



QUEM CONSOME?
O hemisfério norte consumidor por excelência. Nos Estados Unidos, ainda se encarceram usuários na maioria dos Estados, e a Europa faz vista grossa ao consumo, mas não muda sua legislação.



Os ex-presidentes Ernesto Zedillo, César Gaviria e Fernando Henrique (da esq. para a dir.), em encontro no Rio, na semana passada. Eles defenderam a revisão das leis contra as drogas e a descriminalização da posse de pequenas quantidades de maconha.



QUEM APÓIA A LIBERAÇÃO?
Agora, não são hippies nem pop stars. São três ex-presidentes latino-americanos, de cabelos brancos e ex-professores universitários, que encabeçam uma comissão de 17 especialistas e personalidades: o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, do Brasil, de 77 anos, e os economistas César Gaviria, da Colômbia, de 61 anos, e Ernesto Zedillo, do México, de 57 anos. Eles propõem que a política mundial de drogas seja revista.


QUEM É CONTRA? PORQUE É CONTRA?
Com a liberação do consumo da maconha, mais gente experimentaria a droga. Isso aumentaria o número de dependentes e mais gente sofreria de psicoses, esquizofrenia e dos males associados a ela. Mais gente morreria vítima desses males. "Como a maconha faz mal para os pulmões, acarreta problemas de memória e, em alguns casos, leva à dependência, não deve ser legalizada", afirma Elisaldo Carlini, médico psicofarmacologista que trabalha no Centro Brasileiro de Informação sobre Drogas (Cebrid). "Legalizá-la significaria torná-la disponível e sujeita a campanhas de publicidade que estimulariam seu consumo".

"A lei sempre pode melhorar, mas sou contra esse tipo de mudança", diz o deputado estadual Edson Ferrarini (PTB-SP), que há 36 mantém uma entidade de recuperação de dependentes de drogas. "Nossa legislação já é atualizada. Hoje, não existe ninguém preso por fumar maconha. O problema é que 90% das pessoas envolvidas com drogas como cocaína, heroína e crack começaram com maconha. E, no Brasil, as pessoas começam cedo nas drogas". Para ele, assim como para a ONU ou para o governo americano, controlar a oferta das drogas por meio de políticas de segurança e do combate ao tráfico e ao consumo é a melhor forma de combater os danos que elas causam à saúde.


QUEM BUSCA POSICIONAMENTO COERENTE?

NO EXTERIOR
Martin Jelsman
"A proibição das drogas ilícitas pôs o mercado desse lucrativo comércio em mãos de organizações criminosas e criou enormes fundos ilegais que estimulam a corrupção e os conflitos armados em todo o mundo", diz o cientista político holandês Martin Jelsman.

Milton Friedman
O economista Milton Friedman (1912-2006) apoiou estudos da Universidade Harvard que mostram que, se a maconha fosse liberada e legalizada, em vez de se gastar uma fortuna com a proibição, haveria um ganho potencial de US$ 7,7 bilhões por ano e de US$ 6,2 bilhões em taxas para investimento em saúde pública. Trata-se de um potencial de arrecadação comparável ao do tabaco.

Robert Sweet
Em vez disso, a política dos EUA em relação às drogas vem custando fortunas ao contribuinte americano. Cresceu de US$ 10 bilhões, nos anos 80, para US$ 35 bilhões anuais. "É um fracasso como custo-benefício. Taxar as drogas e fornecer assistência à saúde do usuário é o caminho adequado. Todas as drogas que alteram o comportamento da mente devem ser controladas, exatamente como o álcool, com restrições de venda de acordo com lugares e horários e, obviamente, jamais a menores", diz o juiz federal americano Robert Sweet, de Nova York.

NO BRASIL

Kátia Tavares

No Brasil, a legislação continua ambígua em relação ao consumo nos espaços públicos. Em outubro de 2006, entrou em vigor no país a Lei Antidrogas nº 11.343. "É mais uma reforma de caráter simbólico, já que não diferencia a figura do experimentador, ocasional consumidor ou usuário frequente de entorpecentes", afirma Kátia Tavares, da Comissão de Direito Penal do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB). “O atual texto não deixa de criminalizar a conduta do porte para consumo pessoal, pois prevê como pena a prestação de serviços à comunidade, além de fixar medida educativa semelhante a um castigo, imposta pelo juiz criminal”. Não seria oportuno, pergunta Tavares, que o consumo próprio de drogas fosse examinado pelo Ministério da Saúde? "Descriminalizar a conduta da posse para uso próprio é uma medida urgente. Isso não significa a legalização das drogas", afirma ela.

FHC
A menos de 1 quilômetro da casa de qualquer latino-americano ou norte-americano, diz o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a maconha está disponível. Mas quem fuma maconha não dispõe da ajuda do sistema de saúde pública. Caso se torne um dos 10% que, em algum momento da vida, se tornam dependentes ou viciados, ele não terá assistência do Estado.

Alberto Cardoso
No início do mês, quatro policiais, em três triciclos, detiveram jovens que fumavam maconha no Posto 9, na Praia de Ipanema, no Rio de Janeiro. Os policiais foram vaiados e houve tumulto. No Brasil, o usuário não pode, pela legislação, ser preso. Mas o policial pode levá-lo para a delegacia e fichá-lo por consumir uma droga ilícita, condenando-o a trabalhos comunitários. Ou pode achacá-lo. Porque, ao fumar um baseado, ele continua cometendo um crime. "Há uma brecha na lei que precisa ser mais bem explicada ou reescrita", diz o general Alberto Cardoso, da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad). "Deter ou não o usuário de maconha ainda depende do arbítrio ou da educação dos policiais brasileiros". A comissão propõe que se mude a maneira de enxergar o consumidor de maconha. Ele deixaria de ser um infrator.

Rubem César Fernandes
"O que aconteceu com esses jovens tem tudo a ver com os objetivos a longo prazo da comissão latino-americana", diz Rubem César Fernandes, diretor da ONG Viva Rio. "A política de repressão pura e simples cria oportunidades para o crime e reforça a tendência de desvios na classe média, especialmente no consumo de ecstasy, presente em todas as raves. Na Europa, a política tem sido colocar nas festas não policiais, mas agentes de saúde. Quando veem alguns jovens 'brilhando' demais, fazem coleta de sangue, mandam para casa. Essa rapaziada que começa a comprar de amigos e vê que pode ficar rico comprando e revendendo entra no crime sem nem se dar conta. Porque não há conversa, informação, prevenção. A proibição é um estímulo ao desvio". Fernandes, que admite já ter sido viciado em maconha quando vivia nos Estados Unidos, afirma que, futuramente, a saída para minar o tráfico talvez seja a legalização de todas as drogas, com o comércio regulado. Nem todos concordam.

E O CASAMENTO ARMAS X DROGAS?
A Polícia Federal concluiu, no Rio de Janeiro, duas operações contra quadrilhas de traficantes de classe média que abasteciam a Zona Sul da cidade com drogas sintéticas e forneciam armas aos bandidos dos morros. Os moradores do condomínio Lagoa Azul, na Lagoa, bairro nobre do Rio, assistiram, logo ao acordar, a uma cena comum apenas nas favelas vizinhas. Dezenas de policiais vasculhavam o edifício. O carro de quem saía de casa para o trabalho era revistado. Muitos perguntavam se um assalto ocorrera no prédio e se os policiais procuravam os bandidos. Ninguém imaginava que os agentes caçavam o vizinho da cobertura, avaliada em R$ 1,2 milhão, acusado de tráfico de drogas. Henrique Dornelles Forni, o Greg, de 25 anos, foi um dos 51 presos nas operações em diversos Estados.


Quadro de Mihály Zichy, "Lúcifer". Mostra o banimento de Lúcifer do Céu por Deus.


MAURICINHO GREG – O ANJO DECAÍDO?
Greg seria, segundo a polícia, um exemplo de "mauricinho" de classe média alta que saltou do consumo em festas para o tráfico internacional.

O pai de Greg, o publicitário Paulo de Tarso Forni, afirma que o rapaz fuma maconha desde os 14 anos, com permissão médica, porque sofre de dislexias e fobias: "Faz mal fumar? Eu não discrimino ninguém que fuma maconha". Greg só teria deixado o país uma única vez nos últimos sete anos, para uma viagem à Disney. "Ele vive lavando roupas de mendigos, tem um grande coração. Devia ser candidato a vereador", diz o pai. A incredulidade de Paulo de Tarso é a mesma dos pais de outros jovens. Na sede da PF, onde os rapazes estão presos, duas mães desmaiaram.

A história de Greg alimenta a grande fantasia da maconha como porta de entrada para os maiores pesadelos paternos: a dependência de drogas pesadas – como crack e cocaína – e o envolvimento com o crime. Ele não só comprava e revendia balinhas. Greg teria arrendado duas bocas de fumo no morro. Segundo a polícia, Greg passava seus dias na Lagoa e, à noite, trabalhava na boca de fumo, de fuzil na mão. Para a família, dizia que estava em baladas na "night".

LUGAR DE TRAFICANTE É NA CADEIA?
A comissão de ex-presidentes e personalidades defende debates honestos e francos. E continua a defender a repressão ao crime organizado. As famílias, as escolas, as igrejas precisam encorajar o debate, sem tabus, porque a guerra às drogas, de acordo com eles, não deu certo.

TABAGISMO & CIA
Quem defende a legalização do uso da maconha costuma usar o argumento da Lei Seca: a proibição do álcool nos EUA entre 1919 e 1933 aumentou o consumo e gerou crime e violência. E cita o exemplo recente do tabaco, cujo uso é sete vezes maior que o da maconha, mas vem se tornando uma droga antissocial sem que os fumantes sejam presos – somente com fortes campanhas de conscientização e restrição de espaços. Quem é contra a legalização está convicto de que o consumo e o vício aumentariam brutalmente na juventude e que a existência de drogas danosas liberadas não justifica legalizar mais uma. Mesmo os partidários da legalização de todas as drogas acreditam num processo gradual, que seja adotado em todo o planeta, para que um país de lei mais liberal não sirva de refúgio aos traficantes perseguidos nos demais.

"O tabagismo é considerado a maior causa evitável de doença e morte no mundo", diz a pesquisadora Analice Gigliotti, presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas – a favor da descriminalização (do consumo), mas contra a legalização (da venda). Ela faz um paralelo entre tabaco, álcool e maconha. "O cigarro mata metade de seus usuários precocemente – de câncer, doenças pulmonares e cardiovasculares. Mas não provoca alteração de comportamento", afirma. A maconha, segundo ela, tem um potencial de vício inferior ao do tabaco e comparável ao do álcool. Mas vicia, com direito a síndrome de abstinência e tudo. Pode provocar câncer, prejudicar a capacidade de aprendizado e perda dos reflexos motores, o que também aumenta acidentes de trânsito.

A pesquisa da Beckley Foundation relaciona ansiedade, paranoia e sintomas psicóticos entre os efeitos do uso da maconha em altas doses. Mas sustenta que as consequências para a saúde são menos danosas que as do álcool. Mais da metade dos brasileiros bebe. E os números da violência confirmam a profunda relação do álcool com o crime. Ele está relacionado a: 86% dos homicídios; 60% dos abusos sexuais; 37% dos assaltos; 13% dos abusos de crianças; 60% dos homens e 25% das mulheres envolvidos em violência doméstica.


SERIA ESSA UMA SOLUÇÃO VIÁVEL?
Muitas perguntas continuam sem resposta. Duas delas são básicas. De que adianta descriminalizar o uso da maconha se o comércio for mantido ilegal? Comprar pode, mas vender não? Uma saída – somente no caso da maconha – seriam as plantações domésticas, tendência em alguns países. “A resposta para isso tem sido microprodução”, diz Fernandes, do Viva Rio. "Na Califórnia, é permitida a produção doméstica. Os usuá­rios nem gostam da ideia de passar a produção às empresas de cigarro. Na Holanda, é permitido o cultivo de até cinco pés da planta em casa. Na Bélgica e na Espanha, até dois". Dessa forma, o usuário não só garantiria a qualidade do produto, mas também ficaria longe dos traficantes. O consumo se dissociaria do crime organizado.

Já se sabe que nem o policial nem o juiz – e provavelmente nem os pais – impedem um jovem de experimentar ou continuar a consumir drogas, legais ou ilegais. Se é utopia imaginar um mundo livre de drogas, também é ingênuo supor que o ser humano trate de questões polêmicas sem considerar seu aspecto moral. Governos, ao estabelecer políticas, devem dar o exemplo e ser realistas. Os indivíduos escolherão o certo e o errado de acordo com sua formação, educação ou religião. Hoje, é praticamente consenso que o usuário de qualquer droga, não apenas maconha, não deve ser tratado como criminoso.


Acima de tudo, deve prevalecer a visão do filósofo inglês John Stuart Mill (1806-1873): Sobre si e sobre o próprio corpo, o indivíduo é soberano.


NOTA DA LUA NUA: Todo esse material eu li aqui e depois ordenei para que ficasse bem menor do que na matéria.

Apesar de não ser usuária, nem de maconha, nem de nenhuma droga lícita ou ilícita (incluindo a venenosa comida do Mac D., mas excluindo a gostosa e gelada cerveja) eu sou uma cidadã plugada.

Acho difícil o Estado e a lei resolverem se as drogas devem ou não devem ser legalizadas, se o aborto deve ou não ser permitido, mas acredito que com união e boa vontade do Estado & Sociedade poderá num futuro, não muito distante, chegar a um senso comum e benéfico para a humanidade.

A meu ver, cada país deveria chegar a um consenso, mas depois todos os países deveriam se reunir e usar uma só conduta legal. Acredito que isso facilitaria o que fazer na hora que os "inimigos da lei" mudassem de endereço.

domingo, 7 de junho de 2009

CB 300R

Gisele foi a única mulher a disputar o Campeonato Gaúcho de Motovelocidade em 2008 com uma Twsiter e terminou em 6º lugar.
Na CB 300R percebeu várias melhorias.


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sábado, 30 de maio de 2009

A PRIMEIRA FAMÍLIA DE DUAS MULHERES

A sentença é histórica. Pela primeira vez é reconhecido na Justiça o direito de uma mulher, sem nenhum vínculo biológico com seus filhos, ocupar um lugar parental. A Justiça gaúcha, conhecida por decisões de vanguarda, reconheceu e legitimou um vínculo afetivo, amparado por uma história de amor de 11 anos entre duas mulheres, comprovada por vídeos, fotos, documentos e testemunhas.

O primeiro foi Joaquim Amandio, com 2,8 quilos. Dois minutos depois chegou Maria Clara, só alguns gramas mais pesada. Michele estendeu a mão para Carla, deitada na mesa cirúrgica onde fez cesariana. Às 9h55 de 8 de fevereiro de 2007, as palavras faltaram. Com olhos castanhos boiando em lágrimas, Michele acolheu os bebês: "Filhos, a pami está aqui". Sabia que reconheceriam sua voz porque havia contado a eles muitas histórias ao longo dos nove meses de gestação em que habitaram o ventre de Carla. A enfermeira olhou para Michele: "A Maria Clara é a sua cara". Michele exultou. Até hoje conta essa história muitas e muitas vezes. Disparou então para o corredor do Hospital Santa Catarina, em Blumenau, gritando: "Meus filhos nasceram, meus filhos nasceram". Na sala de espera, as pessoas a olhavam com susto. Afinal, como ela acabou de dar à luz e está gritando e correndo feito doida? Nascia ali uma nova família. Diferente, sem dúvida. Mas uma família.

Sem dúvida.

Um mês mais tarde, Carla e Michele anunciaram à escrivã do cartório de registro civil, em Blumenau: "Somos casadas, nossos filhos foram gerados por inseminação artificial e queremos registrá-los no nosso nome". A mulher perguntou quem era o pai. Michele respondeu: “Eles não têm pai. Têm a mim”. A escrivã afirmou que só poderia registrar em nome da mãe biológica. "Nós vamos tentar na Justiça, então", disse Carla. A escrivã retrucou: "Podem tentar, o máximo que vão conseguir é um não".

Em 12 de dezembro de 2008, o juiz Cairo Roberto Rodrigues Madruga, da 8ª Vara de Família e Sucessões de Porto Alegre, disse "SIM". Em 14 de maio, foi determinada a alteração da certidão de nascimento dos gêmeos. Joaquim Amandio e Maria Clara Cumiotto Kamers são agora filhos de Carla Cumiotto e Michele Kamers e seus avós são Alcides e Clara Cumiotto e Jaime e Maria Kamers.

Carla e Michele descobriram que as crianças sempre acham uma boa saída. “Que nojo, beijar uma mulher na boca”, disse uma menina na pracinha. “É mesmo, quando elas não se amam, deve ser bem nojento”, retrucou Carla. “Mas, quando se amam, é bonito.” Um garotinho que circulava por perto falou: “Meu pai namora um homem”.

A história é grande, saiba mais clicando AQUI


NOTA DA LUA NUA: Trouxe essa história para o blog por dois motivos: um porque aconteceu na cidade que moro e não foi largamente divulgada, mas deveria, por ser uma bela história de amor e perseverança. O outro motivo é porque acretito que o mundo está mudando e esses conceitos empoeirados, arcaicos e ultrapassados estão caindo por terra. A família tradicional anda deixando muito a desejar. Pai e mãe foram trabalhar deixando sua prole "à deus dará". Quem sabe os filhos dessas novas famílias venham menos violentos e com mais respeito por si e pela humanidade?

Para mim uma das partes mais interessantes da matéria é quando elas se posicionam quanto aos guetos gays. Eu também acho que, se esses guetos dão liberdade, eles também excluem as pessoas e que essa exclusão faz com que a sociedade mude e aceite mudanças (leia-se: modernize) mais lentamente.

[...] Nem Carla nem Michele vivem em guetos gays. “Nunca me identifiquei como homossexual. Frequentei pouco bares gays. Porque, ao se apresentar como homossexual, me parece que a identidade é reduzida à escolha sexual. Entendo que, na vida, somos homens ou mulheres e, a partir de marcas infantis e dos bons encontros, cada um vai se referenciando a partir do feminino e do masculino”, diz Michele. “Enquanto um casal tem uma relação homoafetiva, homoerótica e quer viver em guetos, problema dele. Mas, a partir do momento em que um casal tem filhos, acho delicado uma criança ser apresentada ao mundo num gueto. Porque todo gueto, e não só o gueto homossexual, visa excluir a diferença. É o confronto com a diversidade, com outras famílias, outras classes sociais, outras experiências, que aumenta as possibilidades, faz com que cada um seja capaz de inventar uma vida melhor. Nas ocasiões em que tentaram eliminar as diferenças, determinar que só existia uma forma de viver, foi muito triste, como no nazismo e no fascismo.” [...]

Parabéns a Michele e a Carla!!!!


E antes de rolar pensamentos e/ou comentários preconceituosos, leiam:

Qual é o sexo do seu cérebro?

Vai que você descobre algo por aí... :=))
Meu teste deu 5. Ponto e pronto.

sábado, 16 de maio de 2009

UM ESCAMBAU

"E aqueles que foram vistos dançando
foram julgados insanos
por aqueles que não podiam
escutar a música... "
Friedrich Nietzsche


Li isso no um escambau e achei bem adequado para o momento que tô vivendo.

Hoje tem Confraria do Samba no Botiquin Wollstein (R. Floriano Peixoto, 89). Vou lá e se der dou uma filmada no povo tocando.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

E O FRIO CHEGOU

Finalmente ele veio, deu as caras de uma forma gostosa: calorzinho de dia, friozinho de noite.


Hoje foi o primeiro dia de usar casaco e mangas compridas na rua, meias e calça de lã em casa.
E com o frio vindo eu vou indo.
- Indo? Prá onde?
- Para o ap novo!
O apartamento velho é assim gostozinho, com 2 varandinhas, mas é de fundos e não é meu. Aliás nada nessa vida é meu porque quando eu voltar pra casa só vou levar minha alminha.
Mas o apartamento novo está sendo arrumado com muito carinho e é de lá que vou ver os próximos dias amanhecendo, vou ver o sol se pondo e avermelhando o mundo, ou ver a Lua chegando.
Falando em Lua, ela chegou hoje à tarde antes do Sol ir embora, estava lindona!
EM 2005 escrevi OUTONO. Hoje não acampo mais, mas de certa forma é um texto que ainda continua atual.
Voilà!

OUTONO

Hora de desarmar, limpar e fazer os consertos nas barracas de camping, guardar o bronzeador, o biquíni e a canga. O chapéu de praia vai enfeitar a parede com aquele colar feito de um monte de conchinhas catadas na praia. Hora de guardar o short e as camisetas de alça, os vestidos de flores miúdas.

O Outono acaba de chegar e é conhecida como a estação das folhas secas que caem das árvores cobrindo o chão das cidades e campos como um lindo tapete com vários tons de terra. É o tempo dos dias de céu azul intenso e brisa leve. É a estação de se preparar para o frio do inverno, rever o guarda-roupa, tirar as mantas e cobertores para tomar sol e vento. Deixar limpa a lareira, juntar galhos e cortar a lenha. Arrumar tudo para quando os dias de frio começar a chegar devagarzinho.

Uma estação muito rica em aromas e sabores, uma verdadeira festa para o nosso paladar, é época de ir para a cozinha brincar de inventar algo morno como nossos corações: café com creme, bolo de chocolate com calda quente e recheio de nozes pecã. E hora de pecar...

Sentar na cadeira de balanço da vida e fazer um levantamento para aonde estamos indo e de como queremos ir.

Hora de fertilizarmos a existência, como as folhas mortas fertilizam o solo.

É chegado o tempo de renascer das folhas mortas.

É chegado o tempo...

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Amigo PoPa

Ô meu amigo PoPa, cê num sabe o quanto um punhadinho de palavras ajudam numa hora ruim. Passei, e ainda estou passando, maus bocados meu amigo, e é por isso que sumi tão sumidinha assim, mas tem horas que a fidelidade de amigos (mesmo que de longe) nos fazem ver que precisamos seguir em frente.

Sabe daquela máxima que diz: "quem bate esquece, mas quem apanha nunca esquece"? Pois é... Quem levanta uma alma que beijou o chão jamais será esquecido (mesmo que a gente suma na poeira das estradas).

Obrigada amigo, de alma e coração!

domingo, 26 de abril de 2009

OFF LINE

"Jéééésus"!!! Estou tão off line que não havia autorizado 2 comentários do meu amigo Popa...

E hoje estou fazendo uma coisa que eu já deveria ter feito há muito e muito tempo: tô deletanto tudo o que tenho pela net e estava aposentado: flicks, flog, flog net, multiply, etc, etc, etc...

Eu só ainda não consegui deletar o orkut pq tenho lindos depoimentos que com o tempo vou trazer pra cá e ainda penso e repenso de deletar este espaço pq tenho muito carinho por ele. O resto... BUM!!!!

O resto estou deletando conforme vou me lembrando...
Dá licença moço! Tô cheia de trabalho.
FUI

terça-feira, 10 de março de 2009

"DIA DE LUTA CONTRA A HIPOCRISIA"


Lula critica Igreja e propõe dia contra hipocrisia

Tá bom, tá bom! Não sou lulista, mas... (Tá foda né "camagada"?)

Quando a "bendita", burra e retrógrada igreja católica diz que é contra o aborto porque o aborto é contra a vida ela não explica bem quem tem direito à vida, se é uma criança de 9 anos, estuprada desde os 6, ou se são os dois fetos que um filho-duma-puta meteu na barriga da tal criança.

Sendo assim...

QUE SEJAMOS TODOS EXCOMUNGADOS POR MATARMOS, MAS VIVAS AOS ESTUPRADORES!!!! A QUEM A MÃO NOJENTA DA VELHA E BOA IGREJA NÃO ALCANÇA PARA EXCOMUNGAR, ASSIM COMO TAMBÉM NÃO ALCANÇA AOS PADRES PEDÓFILOS (E clero em geral! Ou não? Eles estão certos? Ou eles são todos inocentes?).

E que os entendidos em religião me expliquem porque isso acontece: viados e lésbicas não podem casar, coito com camisinha é proibido, fornicar no casamento é só para procriar e por isso não pode acontecer antes do casamento, pílula anticoncepcional é coisa do demo!!! E é por essas e outras coizinhas que 99% das pessoas não comungam, se afastam da igreja católica, migram para "igrejas caça níqueis", e tudo porque não trazem suas vidas pautadas pelos dogmas da... da.... igreja católica!!!! Mas padre pode comer criancinhas? Pode né? Padre pedófilo pode né? Padre casado não pode, mas pedófilo pode??? Pode!!!???

CARAI!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Ô negada! Num sou lulista, mas quando é mesmo o "dia da hipocrisia"?



PS 1: E por que o urubu foi a imagem escolhida? Porque pra mim a igreja católica não passa de mais um exemplar dessa "avis rara", pronto e ponto!

PS 2: Preciso escrever mais no meu blog e ler mais os blogs interessantes, mas a vida não tem permitido isso, então que o Popa, Mariposo e Rafael do Filosofia e Lucidez me perdoem!!!!! Ando rezando para que o dia tenha muito mais horas do que minutos.... Beijos nocês!

sábado, 24 de janeiro de 2009

O OLHO INSANO E IMPUDICO DA TRAGÉDIA

Europa Brasileira

Ontem minha cidade de Blumenau foi diferente. De repente, saído de todos os seus esconsos (pois a imagem bonitinha de Europa Brasileira que se mantém QUASE preservada no centro, com fundas camadas de maquiagem, como aquelas bisavós que querem continuar parecendo gatinhas de vinte anos), uma população inteira de desvalidos saiu e até fugiu dos abrigos públicos mantidos nas escolas do município, e veio para praça pública.

Quem era essa gente? Eram os trabalhadores de Blumenau, aqueles que passaram grande parte das suas vidas trabalhando para fazer a sua casinha, e que a construíram, a pintaram, a muraram, fizeram jardins, esticaram redes nas varandas para melhor poder conversar com suas mulheres ao pôr do sol; que nelas criam ou já criaram seus filhos; que tinham aqueles lugarzinhos bonitos, com cortinas na janela e roseiras perto da cerca – e que, de um momento para o outro, viram a terra desmilinguir-se, virar gelatina se liquefazendo, e suas casas irem embora dentro de mares de lama, tantas vezes levando junto entes queridos...

E que acabaram nos abrigos públicos de que já falei acima.

Eu fiquei tão perdida no tempo desde que tudo começou que já não sei desde quando eles estão lá (e eu estou aqui, pois também sou uma desalojada), mas sei que foi logo a seguir do dia 20 de novembro. 21? 22? 23? Já não sei, e também não importa o dia, pois dia se emenda em dia, e semana em semana, e agora já está começando o terceiro mês desde que tudo começou – e os trabalhadores da minha terra continuam jogados nos abrigos - sem nenhuma perspectiva de terem sua dignidade restaurada. E com a ordem de desocuparem os abrigos até semana que vem.

As injustiças são tantas e que a gente ouve a cada hora, que é uma coisa arrepiante. O Brasil e o mundo mandaram tantos donativos para cá que ficará difícil gastar tudo, mas alguém fica com muita coisa no meio do caminho.

Sei de um abrigo onde há mais de mil sabonetes amontoados numa sala, mas que a pessoa que coordena o abrigo não dá sabonete para determinado abrigado que dele necessita, porque não lhe tem simpatia pessoal. E eu sei bem o quanto esse desabrigado é útil ao seu abrigo; como trabalha, ajuda, limpa, prepara comida ... Que será que leva essa chefia de abrigo a ter tanta antipatia? Será que é porque não são da mesma etnia? Olhem os guetos se formando na Europa Brasileira!

As histórias são inúmeras, desde aquele sargento que, faz poucos dias, proibiu a carne para os adultos de determinado abrigo, liberando-a só para as crianças – quando todos sabem que há um congelador chapadinho de carne lá na cozinha, que veio das tantas doações que todo o país mandou.

E as roupas sujas de menstruação que se deram às pessoas do abrigo tal, para que as usassem (nada havia sido salvo das suas casas), enquanto gente do Brasil inteiro mandava roupas novinhas, novinhas...

Começa a pergunta: quem ficou com tantas coisas?

E um diretor de escola que resolveu tratar logo os abrigados como porcos: picou aipim com casca e tudo, e misturou um bocado de carne, e sem sal, sem tempero, sem preparo, cozinhou aquela gororoba e só não mandou servir em gamelas porque deve ter ficado com vergonha.

E outro diretor de outra escola, que se sente o dono do abrigo (a escola é publica, construída com legítimo dinheiro do contribuinte, e o diretor é um funcionário público, com o salário pago com os impostos daquela gente que está lá desvalida) e que não permite coisas básicas, como pais que vêm de longe para saber a sorte dos filhos, e sequer podem entrar lá para falar com os mesmos...
E um outro chefe de abrigo, que vergonhosamente faz com que cada abrigado seja revistado pelos soldados lá de plantão, mesmo que o abrigado tenha apenas ido até à esquina comprar um pão.

A lista das humilhações e falta de respeito é tão grande que nem pensaria em tentar colocá-la aqui. Mas taí uma amostra. Mesmo assim, esses trabalhadores da minha cidade terão que deixar o abrigo dia 30.01.

Muitos e muitos já acabaram desistindo dos maus tratos e das humilhações e indo para a casa de amigos, ou voltando para as zonas de risco, assinando documentos em que se declaram auto-responsáveis pelo que vier acontecer, caso algo lhes acontecer nas zonas de risco. Eles têm que se ir, sumir; a vida nos abrigos tem que ser a pior possível, para que os moradores desistam, sumam das estatísticas – é bem diferente construir mil casas do que cinco mil casas – sobra um dinheirão para os bolsos não sei de quem.

Pois é, gente, deve ser por aí. Sei de algumas coisas: o Governo Federal colocou UM BILHÃO E SETECENTOS MILHÕES de reais à disposição dos atingidos – é um dinheiro ENORME.

Sei que tal dinheiro abrange, também, construção de pontes, rodovias e correlatos, mas sobra MUITO dinheiro para construir casas para os nossos trabalhadores. Parte será emprestada através de financiamentos, mas parte também será repassada a fundo perdido. E nada se faz.

E o dinheiro que o santo povo brasileiro tirou do seu bolso, do seu contadinho, e mandou para cá? Tenho cá anotado os NÚMEROS das contas:

BESC Blumenau – Ag. 003 – conta 400.000-3
Banco do Brasil Blumenau – Ag. 095 – conta 400.000-5
Caixa Econômica Federal Blumenau – Ag. 411 – conta 80.000-0


Cadê tal dinheiro? É dinheiro para o povo, assim como as outras doações são para o povo – e sei que tem gente jogando caminhão de doação em beira de estrada porque já não há onde guardá-la. E o meu povo, a minha gente trabalhadora e construtora de Blumenau, a comer lavagem de porco e a usar roupas sujas de menstruação e a não ter acesso a sabonetes, onde há muitos milhares esperando para serem usados?

E tem mais: semana que vem, dia 30.01.2009, Rua dos Abrigos. Então ontem o povo foi para a praça, foi pedir explicações e justiça. Eu estava lá de três formas: como observadora, pois sou uma escritora; como militante dos Movimentos Sociais e como desalojada.

Havia centenas de pessoas diante da prefeitura pedindo justiça, e o prefeito fez o que é de praxe em tais horas: sumiu, se escafedeu. Mas aceitou marcar uma audiência para a próxima terça.

Terça já vai ser dia 27, tão perto do dia 30! Será que é tudo uma questão de empurrar com a barriga? Sei que os nossos trabalhadores vivem grande indignação e não tem o porte de quem se humilha pedindo – a atitude daqueles homens, mulheres e crianças que constroem Blumenau era de digna solicitação de direitos, e eu estava lá e vi tudo. E também me lembro das tantas mensagens que recebi e dos tantos telefonemas que vieram até mim dizendo coisas assim: "Tirei o pouquinho que me era possível e depositei para Blumenau" ,"Depositei 20.000,00 reais para ajudar vocês", e assim vai. O meu telefone, depois que voltou a funcionar, não parava de tocar: era gente solidária de todo o Brasil, e de Cabo Verde, e de Portugal, e de Londres, e da Irlanda...

Toda essa gente merece satisfação: desde aquele humilde baiano que vi na televisão, depositando o seu troquinho de quem ganha salário mínimo, até aqueles que fizeram grandes doações – como também os nossos trabalhadores, os mais espoliados dos espoliados, sem a menor perspectiva do que lhes vai acontecer.

É hora de obtermos respostas, e muito rapidamente. Eu, por exemplo, fiz meu cadastro de desalojada no dia 16.12.2008 – mais de mês, portanto. Deixei lá o endereço onde estou, o telefone, o endereço eletrônico. Até este momento nem uma vezinha alguém me disse a mínima coisa. Imagino que alguém ao menos deveria dizer: "há que esperar o final das chuvas para se fazer alguma coisa. A senhora, por favor, tenha paciência!" – mas nem isto.

Se não dão satisfação a mim, conhecida como escritora bocuda e que publica em diversos continentes, o que, algum dia, dirão aos trabalhadores que constroem esta cidade? Decerto dirão algo assim:
- Sai daqui! Passa! Ligeiro! Senão vai ter cadeia! Seus arruaceiros!

E aquelas pessoas que doaram, e doaram, e doaram... estava na hora de alguém contar como as coisas se passam.


Blumenau, 23 de janeiro de 2008.

Urda Alice Klueger
Escritora e historiadora

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