domingo, 7 de junho de 2009

CB 300R

Gisele foi a única mulher a disputar o Campeonato Gaúcho de Motovelocidade em 2008 com uma Twsiter e terminou em 6º lugar.
Na CB 300R percebeu várias melhorias.


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sábado, 30 de maio de 2009

A PRIMEIRA FAMÍLIA DE DUAS MULHERES

A sentença é histórica. Pela primeira vez é reconhecido na Justiça o direito de uma mulher, sem nenhum vínculo biológico com seus filhos, ocupar um lugar parental. A Justiça gaúcha, conhecida por decisões de vanguarda, reconheceu e legitimou um vínculo afetivo, amparado por uma história de amor de 11 anos entre duas mulheres, comprovada por vídeos, fotos, documentos e testemunhas.

O primeiro foi Joaquim Amandio, com 2,8 quilos. Dois minutos depois chegou Maria Clara, só alguns gramas mais pesada. Michele estendeu a mão para Carla, deitada na mesa cirúrgica onde fez cesariana. Às 9h55 de 8 de fevereiro de 2007, as palavras faltaram. Com olhos castanhos boiando em lágrimas, Michele acolheu os bebês: "Filhos, a pami está aqui". Sabia que reconheceriam sua voz porque havia contado a eles muitas histórias ao longo dos nove meses de gestação em que habitaram o ventre de Carla. A enfermeira olhou para Michele: "A Maria Clara é a sua cara". Michele exultou. Até hoje conta essa história muitas e muitas vezes. Disparou então para o corredor do Hospital Santa Catarina, em Blumenau, gritando: "Meus filhos nasceram, meus filhos nasceram". Na sala de espera, as pessoas a olhavam com susto. Afinal, como ela acabou de dar à luz e está gritando e correndo feito doida? Nascia ali uma nova família. Diferente, sem dúvida. Mas uma família.

Sem dúvida.

Um mês mais tarde, Carla e Michele anunciaram à escrivã do cartório de registro civil, em Blumenau: "Somos casadas, nossos filhos foram gerados por inseminação artificial e queremos registrá-los no nosso nome". A mulher perguntou quem era o pai. Michele respondeu: “Eles não têm pai. Têm a mim”. A escrivã afirmou que só poderia registrar em nome da mãe biológica. "Nós vamos tentar na Justiça, então", disse Carla. A escrivã retrucou: "Podem tentar, o máximo que vão conseguir é um não".

Em 12 de dezembro de 2008, o juiz Cairo Roberto Rodrigues Madruga, da 8ª Vara de Família e Sucessões de Porto Alegre, disse "SIM". Em 14 de maio, foi determinada a alteração da certidão de nascimento dos gêmeos. Joaquim Amandio e Maria Clara Cumiotto Kamers são agora filhos de Carla Cumiotto e Michele Kamers e seus avós são Alcides e Clara Cumiotto e Jaime e Maria Kamers.

Carla e Michele descobriram que as crianças sempre acham uma boa saída. “Que nojo, beijar uma mulher na boca”, disse uma menina na pracinha. “É mesmo, quando elas não se amam, deve ser bem nojento”, retrucou Carla. “Mas, quando se amam, é bonito.” Um garotinho que circulava por perto falou: “Meu pai namora um homem”.

A história é grande, saiba mais clicando AQUI


NOTA DA LUA NUA: Trouxe essa história para o blog por dois motivos: um porque aconteceu na cidade que moro e não foi largamente divulgada, mas deveria, por ser uma bela história de amor e perseverança. O outro motivo é porque acretito que o mundo está mudando e esses conceitos empoeirados, arcaicos e ultrapassados estão caindo por terra. A família tradicional anda deixando muito a desejar. Pai e mãe foram trabalhar deixando sua prole "à deus dará". Quem sabe os filhos dessas novas famílias venham menos violentos e com mais respeito por si e pela humanidade?

Para mim uma das partes mais interessantes da matéria é quando elas se posicionam quanto aos guetos gays. Eu também acho que, se esses guetos dão liberdade, eles também excluem as pessoas e que essa exclusão faz com que a sociedade mude e aceite mudanças (leia-se: modernize) mais lentamente.

[...] Nem Carla nem Michele vivem em guetos gays. “Nunca me identifiquei como homossexual. Frequentei pouco bares gays. Porque, ao se apresentar como homossexual, me parece que a identidade é reduzida à escolha sexual. Entendo que, na vida, somos homens ou mulheres e, a partir de marcas infantis e dos bons encontros, cada um vai se referenciando a partir do feminino e do masculino”, diz Michele. “Enquanto um casal tem uma relação homoafetiva, homoerótica e quer viver em guetos, problema dele. Mas, a partir do momento em que um casal tem filhos, acho delicado uma criança ser apresentada ao mundo num gueto. Porque todo gueto, e não só o gueto homossexual, visa excluir a diferença. É o confronto com a diversidade, com outras famílias, outras classes sociais, outras experiências, que aumenta as possibilidades, faz com que cada um seja capaz de inventar uma vida melhor. Nas ocasiões em que tentaram eliminar as diferenças, determinar que só existia uma forma de viver, foi muito triste, como no nazismo e no fascismo.” [...]

Parabéns a Michele e a Carla!!!!


E antes de rolar pensamentos e/ou comentários preconceituosos, leiam:

Qual é o sexo do seu cérebro?

Vai que você descobre algo por aí... :=))
Meu teste deu 5. Ponto e pronto.

sábado, 16 de maio de 2009

UM ESCAMBAU

"E aqueles que foram vistos dançando
foram julgados insanos
por aqueles que não podiam
escutar a música... "
Friedrich Nietzsche


Li isso no um escambau e achei bem adequado para o momento que tô vivendo.

Hoje tem Confraria do Samba no Botiquin Wollstein (R. Floriano Peixoto, 89). Vou lá e se der dou uma filmada no povo tocando.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

E O FRIO CHEGOU

Finalmente ele veio, deu as caras de uma forma gostosa: calorzinho de dia, friozinho de noite.


Hoje foi o primeiro dia de usar casaco e mangas compridas na rua, meias e calça de lã em casa.
E com o frio vindo eu vou indo.
- Indo? Prá onde?
- Para o ap novo!
O apartamento velho é assim gostozinho, com 2 varandinhas, mas é de fundos e não é meu. Aliás nada nessa vida é meu porque quando eu voltar pra casa só vou levar minha alminha.
Mas o apartamento novo está sendo arrumado com muito carinho e é de lá que vou ver os próximos dias amanhecendo, vou ver o sol se pondo e avermelhando o mundo, ou ver a Lua chegando.
Falando em Lua, ela chegou hoje à tarde antes do Sol ir embora, estava lindona!
EM 2005 escrevi OUTONO. Hoje não acampo mais, mas de certa forma é um texto que ainda continua atual.
Voilà!

OUTONO

Hora de desarmar, limpar e fazer os consertos nas barracas de camping, guardar o bronzeador, o biquíni e a canga. O chapéu de praia vai enfeitar a parede com aquele colar feito de um monte de conchinhas catadas na praia. Hora de guardar o short e as camisetas de alça, os vestidos de flores miúdas.

O Outono acaba de chegar e é conhecida como a estação das folhas secas que caem das árvores cobrindo o chão das cidades e campos como um lindo tapete com vários tons de terra. É o tempo dos dias de céu azul intenso e brisa leve. É a estação de se preparar para o frio do inverno, rever o guarda-roupa, tirar as mantas e cobertores para tomar sol e vento. Deixar limpa a lareira, juntar galhos e cortar a lenha. Arrumar tudo para quando os dias de frio começar a chegar devagarzinho.

Uma estação muito rica em aromas e sabores, uma verdadeira festa para o nosso paladar, é época de ir para a cozinha brincar de inventar algo morno como nossos corações: café com creme, bolo de chocolate com calda quente e recheio de nozes pecã. E hora de pecar...

Sentar na cadeira de balanço da vida e fazer um levantamento para aonde estamos indo e de como queremos ir.

Hora de fertilizarmos a existência, como as folhas mortas fertilizam o solo.

É chegado o tempo de renascer das folhas mortas.

É chegado o tempo...

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Amigo PoPa

Ô meu amigo PoPa, cê num sabe o quanto um punhadinho de palavras ajudam numa hora ruim. Passei, e ainda estou passando, maus bocados meu amigo, e é por isso que sumi tão sumidinha assim, mas tem horas que a fidelidade de amigos (mesmo que de longe) nos fazem ver que precisamos seguir em frente.

Sabe daquela máxima que diz: "quem bate esquece, mas quem apanha nunca esquece"? Pois é... Quem levanta uma alma que beijou o chão jamais será esquecido (mesmo que a gente suma na poeira das estradas).

Obrigada amigo, de alma e coração!

domingo, 26 de abril de 2009

OFF LINE

"Jéééésus"!!! Estou tão off line que não havia autorizado 2 comentários do meu amigo Popa...

E hoje estou fazendo uma coisa que eu já deveria ter feito há muito e muito tempo: tô deletanto tudo o que tenho pela net e estava aposentado: flicks, flog, flog net, multiply, etc, etc, etc...

Eu só ainda não consegui deletar o orkut pq tenho lindos depoimentos que com o tempo vou trazer pra cá e ainda penso e repenso de deletar este espaço pq tenho muito carinho por ele. O resto... BUM!!!!

O resto estou deletando conforme vou me lembrando...
Dá licença moço! Tô cheia de trabalho.
FUI

terça-feira, 10 de março de 2009

"DIA DE LUTA CONTRA A HIPOCRISIA"


Lula critica Igreja e propõe dia contra hipocrisia

Tá bom, tá bom! Não sou lulista, mas... (Tá foda né "camagada"?)

Quando a "bendita", burra e retrógrada igreja católica diz que é contra o aborto porque o aborto é contra a vida ela não explica bem quem tem direito à vida, se é uma criança de 9 anos, estuprada desde os 6, ou se são os dois fetos que um filho-duma-puta meteu na barriga da tal criança.

Sendo assim...

QUE SEJAMOS TODOS EXCOMUNGADOS POR MATARMOS, MAS VIVAS AOS ESTUPRADORES!!!! A QUEM A MÃO NOJENTA DA VELHA E BOA IGREJA NÃO ALCANÇA PARA EXCOMUNGAR, ASSIM COMO TAMBÉM NÃO ALCANÇA AOS PADRES PEDÓFILOS (E clero em geral! Ou não? Eles estão certos? Ou eles são todos inocentes?).

E que os entendidos em religião me expliquem porque isso acontece: viados e lésbicas não podem casar, coito com camisinha é proibido, fornicar no casamento é só para procriar e por isso não pode acontecer antes do casamento, pílula anticoncepcional é coisa do demo!!! E é por essas e outras coizinhas que 99% das pessoas não comungam, se afastam da igreja católica, migram para "igrejas caça níqueis", e tudo porque não trazem suas vidas pautadas pelos dogmas da... da.... igreja católica!!!! Mas padre pode comer criancinhas? Pode né? Padre pedófilo pode né? Padre casado não pode, mas pedófilo pode??? Pode!!!???

CARAI!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Ô negada! Num sou lulista, mas quando é mesmo o "dia da hipocrisia"?



PS 1: E por que o urubu foi a imagem escolhida? Porque pra mim a igreja católica não passa de mais um exemplar dessa "avis rara", pronto e ponto!

PS 2: Preciso escrever mais no meu blog e ler mais os blogs interessantes, mas a vida não tem permitido isso, então que o Popa, Mariposo e Rafael do Filosofia e Lucidez me perdoem!!!!! Ando rezando para que o dia tenha muito mais horas do que minutos.... Beijos nocês!

sábado, 24 de janeiro de 2009

O OLHO INSANO E IMPUDICO DA TRAGÉDIA

Europa Brasileira

Ontem minha cidade de Blumenau foi diferente. De repente, saído de todos os seus esconsos (pois a imagem bonitinha de Europa Brasileira que se mantém QUASE preservada no centro, com fundas camadas de maquiagem, como aquelas bisavós que querem continuar parecendo gatinhas de vinte anos), uma população inteira de desvalidos saiu e até fugiu dos abrigos públicos mantidos nas escolas do município, e veio para praça pública.

Quem era essa gente? Eram os trabalhadores de Blumenau, aqueles que passaram grande parte das suas vidas trabalhando para fazer a sua casinha, e que a construíram, a pintaram, a muraram, fizeram jardins, esticaram redes nas varandas para melhor poder conversar com suas mulheres ao pôr do sol; que nelas criam ou já criaram seus filhos; que tinham aqueles lugarzinhos bonitos, com cortinas na janela e roseiras perto da cerca – e que, de um momento para o outro, viram a terra desmilinguir-se, virar gelatina se liquefazendo, e suas casas irem embora dentro de mares de lama, tantas vezes levando junto entes queridos...

E que acabaram nos abrigos públicos de que já falei acima.

Eu fiquei tão perdida no tempo desde que tudo começou que já não sei desde quando eles estão lá (e eu estou aqui, pois também sou uma desalojada), mas sei que foi logo a seguir do dia 20 de novembro. 21? 22? 23? Já não sei, e também não importa o dia, pois dia se emenda em dia, e semana em semana, e agora já está começando o terceiro mês desde que tudo começou – e os trabalhadores da minha terra continuam jogados nos abrigos - sem nenhuma perspectiva de terem sua dignidade restaurada. E com a ordem de desocuparem os abrigos até semana que vem.

As injustiças são tantas e que a gente ouve a cada hora, que é uma coisa arrepiante. O Brasil e o mundo mandaram tantos donativos para cá que ficará difícil gastar tudo, mas alguém fica com muita coisa no meio do caminho.

Sei de um abrigo onde há mais de mil sabonetes amontoados numa sala, mas que a pessoa que coordena o abrigo não dá sabonete para determinado abrigado que dele necessita, porque não lhe tem simpatia pessoal. E eu sei bem o quanto esse desabrigado é útil ao seu abrigo; como trabalha, ajuda, limpa, prepara comida ... Que será que leva essa chefia de abrigo a ter tanta antipatia? Será que é porque não são da mesma etnia? Olhem os guetos se formando na Europa Brasileira!

As histórias são inúmeras, desde aquele sargento que, faz poucos dias, proibiu a carne para os adultos de determinado abrigo, liberando-a só para as crianças – quando todos sabem que há um congelador chapadinho de carne lá na cozinha, que veio das tantas doações que todo o país mandou.

E as roupas sujas de menstruação que se deram às pessoas do abrigo tal, para que as usassem (nada havia sido salvo das suas casas), enquanto gente do Brasil inteiro mandava roupas novinhas, novinhas...

Começa a pergunta: quem ficou com tantas coisas?

E um diretor de escola que resolveu tratar logo os abrigados como porcos: picou aipim com casca e tudo, e misturou um bocado de carne, e sem sal, sem tempero, sem preparo, cozinhou aquela gororoba e só não mandou servir em gamelas porque deve ter ficado com vergonha.

E outro diretor de outra escola, que se sente o dono do abrigo (a escola é publica, construída com legítimo dinheiro do contribuinte, e o diretor é um funcionário público, com o salário pago com os impostos daquela gente que está lá desvalida) e que não permite coisas básicas, como pais que vêm de longe para saber a sorte dos filhos, e sequer podem entrar lá para falar com os mesmos...
E um outro chefe de abrigo, que vergonhosamente faz com que cada abrigado seja revistado pelos soldados lá de plantão, mesmo que o abrigado tenha apenas ido até à esquina comprar um pão.

A lista das humilhações e falta de respeito é tão grande que nem pensaria em tentar colocá-la aqui. Mas taí uma amostra. Mesmo assim, esses trabalhadores da minha cidade terão que deixar o abrigo dia 30.01.

Muitos e muitos já acabaram desistindo dos maus tratos e das humilhações e indo para a casa de amigos, ou voltando para as zonas de risco, assinando documentos em que se declaram auto-responsáveis pelo que vier acontecer, caso algo lhes acontecer nas zonas de risco. Eles têm que se ir, sumir; a vida nos abrigos tem que ser a pior possível, para que os moradores desistam, sumam das estatísticas – é bem diferente construir mil casas do que cinco mil casas – sobra um dinheirão para os bolsos não sei de quem.

Pois é, gente, deve ser por aí. Sei de algumas coisas: o Governo Federal colocou UM BILHÃO E SETECENTOS MILHÕES de reais à disposição dos atingidos – é um dinheiro ENORME.

Sei que tal dinheiro abrange, também, construção de pontes, rodovias e correlatos, mas sobra MUITO dinheiro para construir casas para os nossos trabalhadores. Parte será emprestada através de financiamentos, mas parte também será repassada a fundo perdido. E nada se faz.

E o dinheiro que o santo povo brasileiro tirou do seu bolso, do seu contadinho, e mandou para cá? Tenho cá anotado os NÚMEROS das contas:

BESC Blumenau – Ag. 003 – conta 400.000-3
Banco do Brasil Blumenau – Ag. 095 – conta 400.000-5
Caixa Econômica Federal Blumenau – Ag. 411 – conta 80.000-0


Cadê tal dinheiro? É dinheiro para o povo, assim como as outras doações são para o povo – e sei que tem gente jogando caminhão de doação em beira de estrada porque já não há onde guardá-la. E o meu povo, a minha gente trabalhadora e construtora de Blumenau, a comer lavagem de porco e a usar roupas sujas de menstruação e a não ter acesso a sabonetes, onde há muitos milhares esperando para serem usados?

E tem mais: semana que vem, dia 30.01.2009, Rua dos Abrigos. Então ontem o povo foi para a praça, foi pedir explicações e justiça. Eu estava lá de três formas: como observadora, pois sou uma escritora; como militante dos Movimentos Sociais e como desalojada.

Havia centenas de pessoas diante da prefeitura pedindo justiça, e o prefeito fez o que é de praxe em tais horas: sumiu, se escafedeu. Mas aceitou marcar uma audiência para a próxima terça.

Terça já vai ser dia 27, tão perto do dia 30! Será que é tudo uma questão de empurrar com a barriga? Sei que os nossos trabalhadores vivem grande indignação e não tem o porte de quem se humilha pedindo – a atitude daqueles homens, mulheres e crianças que constroem Blumenau era de digna solicitação de direitos, e eu estava lá e vi tudo. E também me lembro das tantas mensagens que recebi e dos tantos telefonemas que vieram até mim dizendo coisas assim: "Tirei o pouquinho que me era possível e depositei para Blumenau" ,"Depositei 20.000,00 reais para ajudar vocês", e assim vai. O meu telefone, depois que voltou a funcionar, não parava de tocar: era gente solidária de todo o Brasil, e de Cabo Verde, e de Portugal, e de Londres, e da Irlanda...

Toda essa gente merece satisfação: desde aquele humilde baiano que vi na televisão, depositando o seu troquinho de quem ganha salário mínimo, até aqueles que fizeram grandes doações – como também os nossos trabalhadores, os mais espoliados dos espoliados, sem a menor perspectiva do que lhes vai acontecer.

É hora de obtermos respostas, e muito rapidamente. Eu, por exemplo, fiz meu cadastro de desalojada no dia 16.12.2008 – mais de mês, portanto. Deixei lá o endereço onde estou, o telefone, o endereço eletrônico. Até este momento nem uma vezinha alguém me disse a mínima coisa. Imagino que alguém ao menos deveria dizer: "há que esperar o final das chuvas para se fazer alguma coisa. A senhora, por favor, tenha paciência!" – mas nem isto.

Se não dão satisfação a mim, conhecida como escritora bocuda e que publica em diversos continentes, o que, algum dia, dirão aos trabalhadores que constroem esta cidade? Decerto dirão algo assim:
- Sai daqui! Passa! Ligeiro! Senão vai ter cadeia! Seus arruaceiros!

E aquelas pessoas que doaram, e doaram, e doaram... estava na hora de alguém contar como as coisas se passam.


Blumenau, 23 de janeiro de 2008.

Urda Alice Klueger
Escritora e historiadora

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

LUZ


A água lavou os olhos do meu povo.
O povo precisa responder com sua luz.

Passei os últimos dois meses olhando para o céu e para a terra. Pensando em quanto tempo duraria aquela briga de titãs, pensando em quem seria o vencedor. E em algumas horas tudo se arrebentou: de vidas a anos de trabalho, de família a animais de sustento ou estimação.

A água mudou o perfil de um povo, mudou a geografia de cidades, mudou tudo dentro de nós. A água que vinha dos céus agora corre pelos olhos num caudal infinito, por infinita ser, nesse momento, a dor de alguns seres humanos.

Mas esses homens e mulheres do sul são feitos de boa cepa, fortes e corajosos. Seus avós e bisavós fugiram da morte pela fome, vieram e venceram. Sei que eles vencerão! Sei que venceremos!

Hoje antes de dormir fui até a varanda do meu quarto e tive uma bela visão de um prédio em frente ao meu e a despeito de toda dor que passamos esses dias, ele está com todas as varandas com aquelas luzinhas natalinas. Fiquei olhando emocionada. Acho que nesse ano mais do que nos anteriores estaremos precisando de luzes de Natal. Muitas luzes! A cidade toda iluminada! Para que tenhamos uma luzinha para cada lágrima derramada.

Se você que está me lendo agora morar em uma das cidades que foi destruída pelas águas no sul do Brasil, acenda luzes natalinas na sua janela. Uma para cada lágrima que nosso povo chorou.

Se você não mora nas cidades destruídas, acenda uma luz por cada lágrima que derramamos, porque nossos mortos não voltarão, nossos bens foram perdidos, nossos animais não mais nos acompanharão, mas nossa fé estará em cada luz natalina que for acesa.

Que tenhamos todos um Natal de luz.


Que assim seja
Que assim se faça

Melanie
02/12/2008

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

SOS BLUMENAU IX - VOLUNTARIADO

Hoje encontrei 3 espaços bem interessantes:

Um sobre ecologia:

Iniciativa Verde


E dois sobre voluntariado:

Voluntários on line



Defesa Civil de Blumenau




NOTA DA LUA NUA: Acabei de me cadastrar na Defesa Civil porque acredito que ninguém é tão ocupado que não possa doar 1 hora do seu dia.

Segue abaixo trecho de uma mensagem recebida de um amigo dos nossos colegas de Itajaí que, acreditamos, expressa também os nossos sentimentos:





NOTA: Não vi rostos tristes nessas fotos... Impressão minha?



Meus amigos,

Ontem 27 de novembro de 2008 o sol saiu e conseguimos voltar a trabalhar. A despeito de brincadeiras e comentários espirituosos normais sobre esta "folga forçada" a verdade é que nunca me senti tão feliz de voltar ao trabalho. Não somente pelo trabalho, pela instituição e pela própria tranqüilidade de ter aonde ganhar o pão, mas também por ser um sinal de que a vida está voltando ao normal aqui na nossa Itajaí.

As fotos que circulam na internet e os telejornais já nos dão as imagens claras de tudo que aconteceu então não vou me estender narrando e descrevendo as cenas vistas nestes dias. Todos vocês já sabem de cor. Eu quero mesmo é falar sobre lições aprendidas.

Por mais que teorias e leituras mil nos falem sobre isso ainda é surpreendente presenciar como uma tragédia desse porte pode fazer aflorar no ser humano os sentimentos mais nobres e os seus instintos mais primitivos. As cenas e situações vividas neste final de semana prolongado em Itajaí nos fizeram chorar de alegria, raiva, tristeza e impotência. Fizeram-nos perder a fé no ser humano num segundo, para recuperar-la no seguinte. Fez-nos ver que sempre alguém se aproveitará da desgraça alheia, mas que também é mais fácil começar de novo quando todos se dão as mãos.

Que aquela entidade superior que cada um acredita (Deus, Alá, Buda, GADU etc.) e da forma que cada um a concebe tenha piedade daqueles:
- Que se aproveitaram a situação para fazer saques em Supermercados, levando principalmente bebidas e cigarros
- Que saquearam uma farmácia levando medicamentos controlados, equipamentos e cofres e destruindo os produtos de primeira necessidade que ficaram assim como a estrutura física da mesma.
- Que pediam 5 reais por um litro de água mineral.
- Que chegaram a pedir 150 reais por um botijão de gás.
- Que foram pedir donativos de água e alimentos nas áreas secas pra vender nas áreas alagadas.
- Que foram comer e pegar roupas nos centros de triagem mesmo não tendo suas casas atingidas.
- Que esperaram as pessoas saírem das suas casas para roubarem o que restava.
- Que fizeram pessoas dormir em telhados e lajes com frio e fome para não ter suas casas saqueadas.
- Que não sentiram preocupação por ninguém, algo está errado em seu coração.
- Que simplesmente fizeram de conta que nada acontecia, por estarem em áreas secas.

Da mesma forma, que essa mesma entidade superior abençoe:
- Aqueles que atenderam ao chamado das rádios e se apresentaram no domingo no quartel dos bombeiros para ajudar de qualquer forma.
- Os bombeiros que tiveram paciência com a gente no quartel para nos instruir e nos orientar nas atividades que devíamos desenvolver.
- A turma das lanchas, os donos das lanchinhas de pescarias de fim de semana que rapidamente trouxeram seus barquinhos nas suas carretas e fizeram tanta diferença.
- À equipe da lancha, gente sensacional que parecia que nos conhecíamos de toda uma vida.
- Aos soldados do exército do Paraná e do Rio Grande do Sul.
- Aos bravos gaúchos, tantas vezes vitimas de nossas brincadeiras que trouxeram caminhões e caminhões de mantimentos.
- Aos cadetes da Academia da Polícia Militar que ainda em formação se portaram com veteranos.
- Aos Bombeiros e Policias locais que resgataram, cuidaram , orientaram e auxiliaram de todas as formas, muitas vezes com as suas próprias casas embaixo das águas.
- Aos Médicos Voluntários.
- Às enfermeiras Voluntárias.
- Aos bombeiros do Paraná que trabalharam ombro a ombro com os nossos.
- Aos Helicópteros da Aeronáutica e Exercito que fizeram os resgates nos locais de difícil acesso.
- Aos incansáveis do SAMU e das ambulâncias em geral, que não tiveram tempo nem pra respirar.
- Ao pessoal do Helicóptero da Polícia Militar de São Paulo, que mostrou que longo é o braço da solidariedade.
- Ao pessoal das rádios que manteve a população informada e manteve a esperança de quem estava isolado em casa.
- Aos estudantes que emprestaram seus físicos para carregar e descarregar caminhões nos centros de triagem.
- Às pessoas que cozinharam para milhares de estranhos.
- Ao empresário que não se identificou e entregou mais de mil marmitex no centro de triagem.
- A todos que doaram nem que seja uma peça de roupa.
- A todos que serviram nem que seja um copo de água a quem precisou.
- A todos que oraram por todos.
- Ao Brasil todo, que chorou nossos mortos e nossas perdas.
- Aos novos amigos que fiz no centro de triagem, na segunda-feira.
- A todos aqueles que me ligaram preocupados com a gente.
- A todos aqueles que ainda se preocupam por alguém.
- A todos aqueles que fizeram algo, mas eu não soube ou esqueci.

Anônimo

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