quinta-feira, 8 de junho de 2006

SEXO FRÁGIL



Cada vez que acontece um fato que abala uma cidade ou um país, rapidamente se busca, no calor da comoção, um responsável, um culpado para tanta violência, para tanto desrespeito do ser desumano para com o ser humano. Mas afinal, quem é o culpado?

A culpa não é dos políticos atuais, nem da falta de escola, saúde, saneamento básico, distribuição de renda, ou outra coisa desse gênero. A culpa é de tudo isso junto, mas tem um dado que nunca é lembrado nas discussões calorosas: a mulher.

Acredito que alguns com mais idade se lembrarão das suas infâncias.

Então por favor, me respondam uma coisa: Quando éramos pequenos, lá pelas décadas de 40, 50 ou 60, nossos papais iam trabalhar, certo? E quem ficava em casa cuidando das traquinagens que a criançada fazia?

Quem nos botava de castigo?

Quem ensinava a nós sobre o bem e o mal, sobre o que era bom e o que era ruim para as nossas vidas?

Quem nos levava e buscava na escola?

Quem nos levava para o catecismo?

Quem fazia curativo nos nossos joelhos, nos ensinando a ter mais cuidado para cada vez nos machucarmos menos?

Quem não deixava que maltratássemos o gato, jogássemos pedra nos cachorros, ou nos ensinava a sermos mais humanos com algum amigo mais frágil?

Quem nos ensinava a Ave-Maria e a respeitar ao próximo?

Lembram?

Não eram as nossas mamães?

Mas, as mamães foram para a rua trabalhar, dividir o pão de cada dia com o papai. As mamães, sem querer, alteraram as, micro e macro, estruturas da sociedade. E quem ficou no lugar delas na chefia e condução da educação dos futuros brasileiros?


NINGUÉM ! ! ! ! !


Não podemos ser todas ao mesmo tempo, não podemos chefiar e obedecer e nosso dia não tem 48 horas.

Não quero, com isso, mandar as mamães de volta para o "aconchego" do tanque e da vassoura, mas quero sim, buscar parte da mamãe que saiu de casa, que deixou de dar o direcionamento para esse povo tão perdido em humanidade.

Como?

Não sei.


Melanie

segunda-feira, 5 de junho de 2006

"SEJA A MUDANÇA QUE VOCÊ QUER VER NO MUNDO"

(Gandhi)



Blog Saindo da Matrix: "E o tráfico continua sempre brutal, porque TEM QUEM COMPRE."

Quando li esta frase quis escrever algo, não que isentasse os marginais, mas que eles sejam vistos apenas como mais um dos elos desta corrente podre.

E escrevi...


A DOR DAS MORTES INÚTEIS

Nesta corrente temos um sem-número de classes sociais e de poder. Os donos podem mais, os entregadores, menos. Mas pouco se fala da responsabilidade do usuário. Este sim o grande responsável por toda a violência que existe nos grandes centros.

Temos jornalistas, profissionais liberais, artistas, profissionais da comunicação que só dão "um tapinha" num cigarro de maconha de vez em quando. Que só "batem uma trilha" em dias especiais, para "ficarem legal" em alguma festinha, ou show. Mas se não tivéssemos esses homens adultos, profissionais, responsáveis, como usuários, para quem seria vendida essa droga toda?

É a droga que alimenta a grana do PCC, do CV, que alimenta a guerrilha urbana que vemos nas cidades.

É a droga que deixou Marcelo Yuka - do grupo O Rappa - paraplégico, que matou Rodrigo Netto - do grupo Detonautas - e botou seu irmão Rafael no Hospital do Andaraí, sendo operado.

É a droga que deixou várias mães chorando, em cima dos caixões de seus filhos mortos no último dia das mães em São Paulo.

É a droga que alimenta essa violência covarde.

É a droga que paga os juízes corruptos, para que deixem em liberdade os "soldados do tráfico", para que roubem mais, para que matem mais.

Pense nisso enquanto você estiver aí, fumando seu cigarrinho de maconha e relaxando...

Você pode até não ter um revólver, mas também aciona o gatilho.

Melanie

sexta-feira, 26 de maio de 2006

MIOJO À LUZ DE VELAS



DESCRIÇÃO:

A receita é mais para casados, mas pode ser usada em namoros longos, pois depois de alguns anos as relações, assim como quadros que pegam sol, vão perdendo um pouco sua cor, seu brilho.


Sempre que escuto mulheres falando: "meu casamento está uma merda" me pego pensando: e o que ela faz para melhorar isso? Será que ela já pensou em andar "despretensiosamente" depois de um banho noturno com uma camisola comprida, ou um baby-doll curtinho e cheirosa, fingindo que não é de propósito?


Quando escuto os homens falando que o futebol dá mais prazer do que sua mulher na cama, me vem à cabeça: quando foi a última vez que ele roubou uma flor no jardim do vizinho, quando preparou um jantar para ela, ou mesmo uma coisa tão boba que é colocar comida na sua boca de pura brincadeira?


Por isso, antes que alguém fale que jantar a luz de velas é chique e caro, inventei um extremamente barato.


Que tal você depois do trabalho dar uma passadinha no mercado e comprar umas três ou quatro coisinhas além de dois pacotes de miojo? Salada opcional.


MODO DE FAZER:

A primeira coisa que você deve fazer é ocupar o parceiro, ou parceira (depende de quem vai encarar o fogão). É bom avisar que vai tomar um banho rapidinho e fazer algo simples para jantarem e ele (ou ela) vai esperar aquela gororoba de sempre.

Dá uma caprichada no banho e na roupa.


Voe para a cozinha, arrume a mesa bem bonita e comece pelo molho branco que não vou ensinar, pois faz parte do básico da cozinha. Leite, farinha e a manteiga, mas não esqueça de colocar o sal, senão vira comida de doente. Quando o molho estiver pronto jogue o champinhon e faça o miojo al dente (pelo amor de Deus não deixe mole, macarrão mole é de matar). Coloque o miojo numa belíssima travessa, regue com o molho branco, coloquei os queijos cortados em quadradinhos, misture e salpiquei o parmesão.


Abra o vinho, acenda as velas e fale com a voz mais normal do mundo.


- Amooor fiz um miojinho pra gente, vem...


Depois da cara de surpresa dele, ou dela, peça a sobremesa da sua preferência. Aceita sugestões?


E bom apetite...

quinta-feira, 18 de maio de 2006

PCC

O Estatuto você acha no site: Folha on Line

terça-feira, 16 de maio de 2006

GUERRA URBANA


MÁ ADMINISTRAÇÃO gera DIMINUIÇÃO DOS RECURSOS
DIMINUIÇÃO DOS RECURSOS gera POBREZA
POBREZA gera VIOLÊNCIA
VIOLÊNCIA gera MEDO
MEDO gera INSEGURANÇA
INSEGURANÇA gera TRAUMAS

O Governo Federal diminui o repasse de verbas com segurança pública, os Estados desviam essa verba e o que sobra não dá para aparelhar os policiais. O bandido vem de AR.15 e granada, o policial responde com um Taurus 38 e a população?
Os presos podem voltar para a cadeia, os policiais, voltarem ao seu trabalho ridículo, os políticos podem voltar ao seu trabalho de desviar mais e mais nossos impostos, mas a população de São Paulo e do Brasil nunca mais vai voltar a ser a mesma. O trauma sofrido por cada pessoa, por cada família com suas perdas, por cada par de olhos que assistiram horrorizados a esse massacre, nunca mais vai ser sanado.

O povo pede providências urgentes quanto á mudança no Código Penal. Porque termos o código mais brando do mundo, se temos bandidos e políticos nada brandos? Dos 49 prisioneiros que foram para as ruas através das benesses do Indulto do Dia das Mães, 15 deles ao invés de irem ver suas mãezinhas, se juntaram aos outros tantos que ainda estão soltos e aterrorizaram São Paulo. Em vez de irem ver suas mães, foram fazer de outras mães mulheres com medo, mulheres que ficaram sem seus filhos. Como será o Indulto do dia dos Pais? Mais presos irão para as ruas para que filhos fiquem sem seus pais policiais, bombeiros e civis?

Porque o pessoal dos Direitos Humanos não se pronunciou? Será que vai se pronunciar pedindo a prisão do único bombeiro que estava armado e matou 1 dos bandidos? Será que vai pedir a expulsão dele da corporação? Ou será que vai exigir sua prisão? E quanto ao bombeiro morto? Os Direitos Humanos vão dizer o quê? Nada!

Só termino dizendo uma coisa: se na época da copa do mundo os presos tiverem uma profusão de TVs, provavelmente superfaturadas, o povo só tem 2 opções:
1. Ou paramos de pagar os impostos, pois são nossos impostos desviados ou mal aplicados que está gerando essa revolta;
2. Ou precisamos nos armar também, invadir as penitenciárias e fazermos "uma limpa". Os 111 presos do Carandiru serão poucos para nossa revolta.


Melanie


TROCANDO EM MIÚDOS
Chico Buarque

Eu vou lhe deixar a medida do Bonfim
Não me valeu
Mas fico com o disco do Pixinguinha, sim!
O resto é seu
Trocando em miúdos, pode guardar
As sobras de tudo que chamam lar
As sombras de tudo que fomos nós...

... Mas devo dizer que não vou lhe dar
O enorme prazer de me ver chorar
Nem vou lhe cobrar pelo seu estrago
Meu peito tão dilacerado...


OBS: Anexos para se ler:

PCC planeja eleger dois deputados em outubro

PCC teria planejado ação para resgatar Marcola

SP: executados irmão e mãe de um dos líderes do PCC

segunda-feira, 24 de abril de 2006

ROUBA-SE EM ATÉ 80% DOS MUNICÍPIOS, DIZ MINISTRO


Entrevista a Bob Fernandes

"A corrupção no Brasil é cultural, é sistêmica... de 5.500 municípios do País, 1.041 já foram investigados. Ou seja, cerca de 20% do total... o que posso dizer é que o percentual de casos em que encontramos corrupção está na faixa de 70%, 80%. Em alguns casos chega a 85%... foram investigados de forma direta cerca de R$ 6 bilhões das transferências federais aos municípios... O modus operandi é extremamente diversificado. A criatividade nacional, a imaginação brasileira, é insuperável... rouba-se muito no Brasil, do Oiapoque ao Chuí."

O fraseado acima é de um homem que percorre municípios do Brasil em busca de desvios de recursos públicos. Há mais de mil dias ele está no comando de uma equipe de auditores que, aleatoriamente, investiga hábitos e costumes da política brasileira.

Jorge Hage Sobrinho é ministro interino da Controladoria Geral da União, onde chegou a convite de Waldir Pires, hoje ministro da Defesa. Implantaram ambos, ainda no início do governo, um programa de investigação nos municípios. Há outros programas e medidas na CGU, mas poucas ações poderiam ser mais precisas para se alcançar porções tão esparsas e significativas do Brasil profundo.

A cada mês, depois de sorteados pela caixa econômica, municípios são visitados pelos auditores da Controladoria. Vinte por cento dos municípios do Brasil já tiveram suas contas examinadas. Os números, além de aterradores, explicitam ainda mais a dimensão da hipocrisia de tantos que - em especial no palco das CPIs, assembléias legislativas e câmaras municipais afora - exibem ares de espanto ante a corrupção. Espanto, ao menos, a cada vez que são ligados microfones e câmeras de televisão.

Mas se o flagrante da roubalheira é aterrador, há também boas notícias. Ainda que nada se ouça a respeito em meio a algaravia dos gritos de pega-ladrão, agora basta um computador para se acessar o destino de dois trilhões de reais do dinheiro público, informa o ministro.

Do Oiapoque ao Chuí, ao se digitar http://www.portaldatransparencia.gov.br/ se poderá saber quem, nome a nome, lugarejo a lugarejo, recebe o Bolsa Família, por exemplo. Ou que agências de publicidade ganharam contas, e quanto em cada conta. Quais funcionários públicos estão a viajar, para onde e com que verbas. Igualmente, segundo o ministro, o mesmo pode ser feito em relação ao destino do dinheiro em dezenas de outros programas e instituições do governo federal.

Essa é uma boa notícia, e os internautas-cidadãos do Terra Magazine seguramente irão checar sua eficiência no endereço acima mencionado.

Passados quase quatro anos, quais os resultados, do ponto de vista prático, o senhor pode apresentar, enquanto há quase um ano o que mais se discute no País, ou pelo menos no Congresso e em Brasília, é corrupção?
O resultado principal é exatamente o que é inédito no País, que se está combatendo e enfrentando a corrupção. Coisa que nunca houve.

Mas o que o senhor diz soa estranho diante da percepção geral.
Claro, temos 500 anos de cultura de corrupção e de impunidade no Brasil. Isso começou com a chegada dos descobridores, não é novidade para ninguém. Tudo que está sendo revelado agora sempre existiu nesse País, as grandes novidades são duas: primeiro, está havendo combate efetivo da corrupção; segundo, está havendo divulgação na mídia. Coisa que nunca houve.

Que divulgação? Aonde? Como? De que forma o cidadão pode saber?
Criamos o Portal da Transparência. Qualquer cidadão pode acessar de um computador no endereço http://www.portaldatransparencia.gov.br/, sem precisar de senha e nem de cadastramento. Qualquer pessoa, de qualquer computador tem, hoje, acesso a todas as contas públicas do governo federal.

O que significa isso do ponto de vista prático?
Dois trilhões que são exibidos em qualquer computador: onde estão sendo gastos, para quê, para quem vai o dinheiro. Se se trata de pagamento de uma Bolsa Família no seu município, você tem o nome das pessoas e pode verificar. Eu, daqui não posso saber se há alguma irregularidade em algum dos 5.500 municípios do Brasil o tempo inteiro. Quem recebe, nome por nome, tudo. Mas não é só isso. No Portal estão também os grandes fornecedores, as grandes empresas de publicidade, quanto elas recebem e de que órgão recebem.

O que mais?
Os nomes de cada servidor que viaja, a passagem que recebeu, a diária, a finalidade da viagem...são coisas que jamais foram divulgadas nesse País. Pela primeira vez na história um órgão, a Controladoria Geral da União, é autorizado por decreto do presidente a abrir as contas do governo. Transparência é isso. O que falta é os estados e municípios fazerem a mesma coisa.

Como está a situação neles?
Sabemos de estados onde sequer os parlamentares têm acesso às contas do governo. Aqui, no governo federal, não só os parlamentares que já tinham pelo Siaf, mas qualquer cidadão acessa pelo Portal da Transparência da CGU. Além disso, por decreto do presidente estamos impondo a cada ministério e a cada órgão a publicação no seu site de uma página de detalhamento, contrato por contrato. Por quem foi assinado, licitação por licitação. Quem concorreu à licitação...

Esse programa já está funcionando em algum ministério?
As páginas individuais da Transparência estão em dois ministérios inicialmente: na Justiça e na própria Controladoria.

Quem clicar vai achar o quê?
Quem clicar no site da CGU tem lá um quadrinho que chama para a página da Transparência. E tem o outro que é do Portal da Transparência, do próprio governo federal. Mas esses são apenas alguns dos instrumentos de prevenção da corrupção que nós criamos. Há várias outras frentes. No campo do aparato normativo necessário para um combate efetivo à corrupção foi encaminhado ao Congresso, pelo presidente Lula, um projeto de lei tipificando como crime o enriquecimento ilícito dos agentes públicos. Basta provar o enriquecimento ilícito, mesmo que sem rastros. Vamos pegá-los pelo resultado. Se você é um agente público, ocupa um cargo de diretor ou um cargo de executivo e tiver sinais exteriores de riqueza, se aparece a cada seis meses com um BMW 0 km e o seu vencimento é de 6, 7 ou 8 mil reais, algo está errado. Instalamos a investigação e você terá de provar a origem desse dinheiro.

Não soa estranho o senhor falar de combate à corrupção em meio a esta barafunda toda, com 10 meses de investigações no Congresso? Cadê a prevenção?
Nunca houve prevenção. São 500 anos sem nenhum aparato preventivo. A prevenção está começando nesse governo. Estamos trabalhando ao mesmo tempo em duas frentes, é como estar consertando o avião em vôo. Com a investigação do que já aconteceu, porque nunca houve prevenção, transparência, normas, legislação sobre conflitos de interesses, como nós estamos produzindo agora, sobre ampliação do acesso da população às informações, que é o que inibe a corrupção.

A Controladoria tem aquele programa onde a Caixa Econômica sorteia municípios e auditores são enviados para vasculhar as contas nas prefeituras. Quais são os resultados?
De 5.500 municípios, 1.041 já foram investigados. Ou seja, cerca de 20% do total. Foram investigados de forma direta cerca de R$ 6 bilhões das transferências federais aos municípios. Em todos os programas, da Merenda Escolar até o Bolsa Família, da abertura de postos até a construção de postos de saúde, tudo. Agora, o importante não é apenas que nós atingimos a verificação de R$ 6 bilhões, é o caráter exemplar, o efeito inibitório.

Como isso é feito por sorteio...
...os demais agentes públicos municipais não sabem se no mês seguinte o sorteio não vai pegá-los, então eles já se preparam.

Para ser claro: vocês acompanharam mais de mil cidades. Em quantos casos houve flagrante de mau uso do dinheiro publico?
Vamos distinguir duas coisas. Há investigações em municípios e estados e no próprio governo federal. Em municípios, que é o maior volume quantitativo, foram 1.041 municípios. Eu diria a você que em dois terços dos casos há irregularidades graves.

De 20% dos municípios do País há irregularidades em dois terços ?
Em algumas das edições desse nosso sorteio esse percentual é mais alto, chegou a 85%.

Ou seja, é corrupção endêmica?
É muito grave...

Um tema que é importante ser esmiuçado: quanto se rouba no Brasil? E como se rouba o dinheiro público?
O modus operandi é extremamente diversificado. A criatividade nacional, a imaginação brasileira, é insuperável... A cada dia a gente sempre vai descobrindo as novas formas criadas.

Eu queria quantificar. Há de fato uma cultura de corrupção que passa por cada município, cada estado? Não são fatos isolados?
Eu não diria em cada município. Há muitos municípios que são administrados por prefeitos honestos. Você diz em cada esfera de governo? Sem dúvida.

É fácil atribuir ao Congresso, às Assembléias Legislativas, às Câmaras de vereadores a responsabilidade pela corrupção, mas isso já seria algo entranhado na cultura, espalhado pela população?
Sem dúvida, e a forma de operar é realmente interessante. Já descobrimos a genialidade brasileira. Chega ao ponto de num município do estado do Paraná, um determinado prefeito...

O nome?
Sabaldia, o município. O prefeito chegou à proeza de conseguir publicar, um edital de licitação em um único exemplar de jornal. Não é em uma edição, é em um exemplar.

Que ele deve ter guardado em casa?
Não, esse exemplar foi para o processo, para aparentar que houve licitação. E os outros, digamos 9.999 exemplares, circularam com artigo do Bob Fernandes, por exemplo. A nossa equipe descobriu isso porque não fiscalizamos só o processo, vamos ao campo, vamos às firmas que supostamente participaram para entrevistar os sócios e diretores. Esse é um exemplo. Outro, na região nordeste, na Paraíba. A prefeitura de João Pessoa estava, até hoje, utilizando uma licitação de 1990.

Com aditivos...
Aditivos, aditivos. Quinze anos sem precisar licitar! Eles entendiam que ainda estava valendo aquela, o prazo de validade seria indefinido. As mesmas empresas repassavam por cessão de contrato umas às outras, eternamente. Para fazer as obras todas. Descobrimos aí, num total de R$ 50 milhões, R$ 13 milhões em irregularidades e desvios. Apuramos em parceria com o Ministério Público e a Polícia Federal, como todos os nossos trabalhos. Outro exemplo foi com a merenda escolar, em Alagoas...

A merenda escolar é um problema no País inteiro ou é só...
No País inteiro.

Quer dizer, roubam na merenda das crianças?
Roubam as merendas das crianças. Descobriu-se o seguinte: uma empresa sediada em São Paulo, através de sua representação no estado, articulava com as prefeituras um kit corrupção. Eles orientavam o prefeito desde a forma como fazer o edital direcionado para que só aquela empresa vencesse, a forma de atestar o recebimento dos gêneros alimentícios, atestando que foi recebida quantidade maior, às vezes o dobro do que efetivamente foi entregue. Para depois dividirem o lucro entre o empresário e o prefeito.

São incontáveis as modalidades de roubo?
Muito variadas, e algumas áreas merecem destaque. As áreas dos contratos de publicidade, as áreas dos contratos de consultoria, além das tradicionais empreiteiras. As empreiteiras sempre foram um foco principal... Bem, por isso tudo aí muita falcatrua estava passando. Desde quando? Desde a década de 90, pelo menos. Não é de agora.

Mas como vocês não conseguiram detectar coisas que estão aparecendo agora nas CPIs?
Em nenhum lugar do mundo, nenhum órgão de combate à corrupção consegue isso. Do mesmo modo que nenhum órgão de combate ao crime consegue detectar antecipadamente. Aonde tem a melhor polícia do mundo? Não tem crime lá, não? Aonde tem o estágio mais desenvolvido de agentes contra corrupção? Não ocorre corrupção? É claro que sim. Você nunca vai poder ter um auditor junto de cada gestor público.

Por que essa percepção de que estaríamos vivendo um período de corrupção avassaladora?
O que aumentou foi o combate e a visibilidade da corrupção. Por isso aumenta a percepção da corrupção. E todo mundo sabe que o que está sendo descoberto agora vem de longe. Sempre esteve aí, só que encoberto. A lama estava encoberta, o que estamos fazendo é trazê-la para a superfície. A população respondeu isso numa pesquisa do Ibope. Foi perguntado a ela se estava aumentando a corrupção ou aumentando o combate à corrupção. Resposta: está aumentando o combate e por isso se vê mais corrupção.

Mas o senhor concordaria com a afirmação, depois de toda essa experiência aqui e depois desse relato, que rouba-se muito dinheiro público no Brasil, do Oiapoque ao Chuí?
Sem a menor dúvida. E quando se rouba do Oiapoque ao Chuí nas esferas mais próximas do cidadão, na administração local, na administração municipal e estadual, aí é que a coisa é mais doída. Porque atinge de forma mais direta o cidadão. O roubo do dinheiro da saúde, do posto médico, a falta do remédio, a falta da merenda escolar atinge mais diretamente o cidadão.

O senhor já tem quatro anos nesse trabalho, então vou repetir a pergunta: a corrupção no Brasil é sistêmica?
A corrupção no Brasil é cultural, é sistêmica. Com graus variados, mais leves talvez, de quem pede ao dentista um preço sem recibo para não pagar o imposto de renda porque sai mais barato. São atos que eu diria de leviandade, como ao querer escapar da multa de trânsito. Isso é tipificado na legislação como crime, mas eu jamais imaginaria que deva ser processado por corrupção ativa o cidadão que aceitou pagar menos ao seu dentista para ser sem recibo. Você o processaria por corrupção ativa? Eu entendo que não. Primeiro você tem que atacar a grande corrupção, dos que tem a responsabilidade principal, os administradores públicos, a classe política, os membros do judiciário. Importante não é apenas diagnosticar que ela é sistêmica, é começar a agir contra ela, criar as condições para prevenir e combater.

...e essas condições...
...é esse caráter inédito que caracteriza o nosso trabalho. O trabalho da Controladoria é reconhecido pela ONU, o escritório das Nações Unidas contra drogas e crimes já escolheu a CGU como centro de referência para a América Latina no combate à corrupção.

É possível quantificar uma taxa média brasileira de corrupção?
Se você se refere à taxa média de propina, não... o que posso dizer é aquela taxa de percentual de casos em que encontramos corrupção, que é nessa faixa de 70%, 80%, no caso das administrações municipais. Isso no sentido amplo, atos de improbidade. Em apenas 20%, 30% há apenas despreparo, falta de condições técnicas.

»Clique aqui para assistir a trechos da entrevista
»Há corrupção na sua cidade? Opine!

Leia também:
» A mídia não é neutra e não aceita críticas, diz Tarso Genro
» CPI sem fato determinado torna País ingovernável

OBS: Matéria achada no terra magazine

segunda-feira, 17 de abril de 2006

ISSO É REAL?


"Eu não te conheço, então você significa algum risco para mim e eu te mato".

Te mato por vc ser loiro e eu morena, te mato pq vc é católico e eu espírita, te mato pq vc é flamenguista e eu botafoguense, te mato porque você é comunista e eu anarquista.

Mato meu irmão porque é diferente de mim....

Prá mim isso beira a loucura!

Pois é a nossa diferença que nos faz crescer.

quinta-feira, 13 de abril de 2006

Diferença entre "Voto em BRANCO" e "Voto NULO"



Leia melhores informações aqui

segunda-feira, 10 de abril de 2006

PORQUE TEMOS MAUS POLÍTICOS?



Partindo-se da visão publicitária do biscoito Tostines:

- Temos maus políticos porque eles são eleitos por maus eleitores?

- Ou temos maus eleitores porque os políticos não se interessam em tornar mais séria a política de cultura e escolaridade?

Será que é mais fácil ficar chorando a cada notícia desagradável veiculada na imprensa, ou ainda temos tempo de arregaçar as mangas e trabalhar duro?

Li uma notícia esses dias que 75% dos brasileiros cometeriam algum ato de corrupção. Então posso deduzir que somos corruptos votando em corruptos, para alimentar ainda mais a corrupção nesse país! Até quando queremos ser isso?

Temos um poderoso veículo de alcance em massa, a net, mas também temos um veículo poderosíssimo, o boca a boca. Acho que se cada um que é esclarecido, estudado e culto ajudar as pessoas mais simples, um dia faremos uma revolução. Não vai levar 1 ano, talvez 10 ou 100, mas estaremos andando para algum lugar.

Sempre converso de política e procuro ajudar, em relação à escolaridade, as empregadas que já tive, ou seus filhos, inclusive ensinando porque elas devem guardar 10 meses o dinheiro da TV que querem comprar em 10 prestações (com juros) e comprarem à vista (sem juros). Sabe que isso dá certo? Para o filho de uma delas paguei três cursos e um dia desses soube que ele está fazendo faculdade.

Nosso povo é cordato demais, servil demais, então temos que começar a conscientização na nossa casa, na nossa rua, com nossos empregados.

O Collor não serviu, Itamar e Fernando Henrique não serviram, o Lula não serve, nem servirá o que vier. Qual seria nossa alternativa?

Vinte anos de lavagem cerebral. Foi calcificada nas nossas cabeças que nosso país é medíocre, que tudo aqui é de 5ª categoria, que somos "um povinho", uns jecas e que o legal mesmo é comprar "cacalhada" em Miami e votar no Collor que é internacional. Como você acha que isso vai mudar de uma hora pra outra? Na força bruta? Não!

Temos que ver que nosso país pelas dimensões e pelo número de habitantes é um mercado consumidor que muito país estrangeiro cobiça. Precisamos melhorar o poder aquisitivo? Sim! Equilibrar a distribuição de renda? Sim! Mas eu acho que o ponto principal é aumentar a auto-estima, pois a nossa é baixíssima.

Quando se fala em Brasil os próprios brasileiros não conseguem ver que não somos um país de indigentes, que somos bons no que fazemos, excelentes em criatividade e em artes, que temos petróleo e minério, solo e biodiversidade riquíssimos, e que, se preservarmos, quando a água do mundo secar ainda teremos água potável e solo fértil e que não somos uns imbecis. Apenas nos sentimos assim porque somos uma nação forte composta de uma sociedade com alguns corruptos, mas são justamente estes "alguns" que emporcalham nossa história.

Mas um dia há de amanhecer aqui na minha terra um sol novo, sem o ranço da corrupção, e isso nascerá em forma de orgulho. Então não seremos mais um país envergonhado por ser governado por um ex-metalúrgico, mas poderemos, sim, nos orgulharmos de um governante ex-metalúrgico se nos desvencilharmos do protótipo de "bem e mal" dos yankees e vermos, com ponderação e isenção emocional, que os índices econômicos estão se estabilizando de forma positiva para o país. Com alto-estima e respeito seremos uma nação que começará a conhecer seu potencial.

Somos os pagadores de impostos e os mantenedores deste País, precisamos COM URGÊNCIA fazer valer cada real nosso que é pago, parando de alimentar a corrupção e procurando candidatos dignos do nosso voto. Não se muda um país com armas e sangue, se puder mudá-lo com consciência e voto limpo.

Valorize-se mais e estará valorizando nossa terra.

Melanie

sábado, 1 de abril de 2006

EU QUERO

Eu quero falar, mas as palavras me são tão grandes que me fogem.

Mas eu quero falar...

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